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Desde 2015 Cedem possui a guarda da Coleção composta por cerca de 700 documentos
Vlado: morte é considerada marco no processo de reabertura democrática
Imagem: Divulgação
Por: Assessoria de comunicação do CEDEM, da Unesp
Em 25 de março de 2015, o Instituto Herzog, presidido por Clarice Herzog, doou ao Centro de Documentação e Memória (CEDEM), da Unesp, uma coleção de reportagens recolhidas ao longo de 30 anos, desde 25 outubro de 1975, data do assassinato de seu marido, o jornalista Vladimir Herzog (1937-1975), nas dependências do Doi-Codi, até 2005. Um ano e sete meses após a assinatura do termo de doação, o acervo está classificado e disponível para consulta pública.
"A preservação documental e o acesso público a eles é uma das principais missões do Centro", explicou Sônia Maria Troitiño Rodriguez, coordenadora do Cedem. "E este arquivo desmonta e reconta uma das maiores farsas montadas em nossa história recente," completa.
Doado pelo Instituto Herzog, o acervo reúne aproximadamente 700 documentos. São matérias publicadas na imprensa sobre a prisão e assassinato, por motivo político, do jornalista Vladimir Herzog. Entre o material também constam cópias de processos judiciais movidos pela família Herzog contra o Estado e pelo Estado contra a família.
No ato da cessão do material Clarice assinalou o papel das pesquisas em documentos oficiais e outras fontes, como jornais, para a construção da verdadeira história da Ditadura Militar no Brasil. Para ela, todo o esforço de construção do acervo foi para prevenir que crimes contra a humanidade se repitam.
Sobre Vlado – Vladimir Herzog nasceu em Osijek, na antiga Iugoslávia, em 27 de junho de 1937. Seu nome original era Vlado Herzog. Por serem judeus, Vlado e família tiveram de fugir do país em razão de perseguições decorrentes do antissemitismo. Viveram clandestinamente na Itália até imigrarem para o Brasil, em 1946.
Formado em Filosofia na Universidade de São Paulo, Vlado fez carreira como jornalista em diferentes órgãos de imprensa. Em meados de 1970 assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura, quando começa a receber informações alertando-o de que seu nome constava na lista de alvos dos militares.
Acusado de ser membro do Partido Comunista Brasileiro, então na ilegalidade, após acordo de não o levarem na sexta-feira, 24 de outubro de 1975, Vlado depôs no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) ao qual compareceu voluntariamente no dia seguinte. Em 25 de outubro de 1975, então, Vladimir Herzog foi morto nas dependências do II Exército, à época localizadas na Rua Thomas Carvalhal, em São Paulo. O Exército soltou uma nota oficial, dois dias depois, afirmando que a morte fora suicídio.
O caso tornou-se emblemático, pois revelou os abusos da lei nas prisões, escancarou a questão da tortura e da impunidade. A partir desse episódio, a viúva Clarice Herzog passou a colecionar reportagens sobre a repercussão da morte do marido. Essas reportagens versam sobre declarações de deputados e senadores, notas oficiais do Exército, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, entrevistas de Clarice, dos amigos, outros jornalistas e presos políticos.
Lentamente, o caso avançou na Justiça e, em 1978 o juiz Márcio José de Moraes declarou o Estado como responsável pela morte de Vlado, mas apenas em 2012 o atestado de óbito foi alterado, informando que a causa da morte fora “lesões e maus tratos”. Por muitos anos, Clarice e a família lutaram para que o caso fosse investigado, esclarecido e os responsáveis punidos. Nesse processo, a questão dos direitos humanos se ampliou e outros casos semelhantes passaram a ser evidenciados e questionados. Além disso, o episódio da morte de Vlado é considerado um marco no processo de reabertura democrática, que viria dez anos depois.
Coleção Vlado (Vladimir Herzog)
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