1. A bandeira vermelha é mais uma não, talvez a mais possuída de significado.

    Bandeira da Ordem de Cristo, quando foi criada 1500, nossa primeira flâmula foi a Bandeira da Ordem de Cristo, que surgiu com a chegada dos portugueses ao Brasil. Ela pertencia à ordem responsável por financiar as grandes navegações portuguesas e foi a primeira a ser hasteada em terras brasileiras. A cruz vermelha estava estampada até nas velas de Pedro Álvares Cabral.

    PRIMEIRA  BANDEIRA HASTEADA NO SOLO BRASIL

    Oficialmente, sabe-se que os templários portugueses já no ano de 1343 ou antes aqui estiveram, enviados pelo rei de Portugal Afonso IV, filho de D. Dinis.

    Em 1° primeiro antes de mais nada, é preciso esclarecer que o Brasil não foi "descoberto" em 22 de abril de 1500, conforme regularmente se ensina (e se comemora) e que a missa aqui celebrada em 26 de abril também não foi a 1ª primeira.

    Em 2° segundo em seguida, convém registrar que o "descobrimento" não se deu por acaso, como se costuma (ou se costumava) ensinar nos livros escolares; foi, ao contrário, cuidadosamente planejado pelos reis templários portugueses, que tinham conhecimento da existência destas terras do outro lado do Atlântico e sabiam das correntes oceânicas.

    Sim, vermelho está atualmente no nome do nosso país e poderia ser a cor da nossa bandeira, embora provocador, o título do artigo não é destituído de propósito. Primeiramente, porque vermelha sempre foi a cor da nossa bandeira. Afinal, Brasil vem de árvore do pau brasil, nome dado pelos portugueses no século XVI a uma árvore muito comum em nosso litoral, de onde se extraía a brasilina, substância utilizada para tingir tecidos de vermelho.

    Sim, porque, antes de brasileiros, somos seres humanos, e o que fundamentalmente nos divide não são fronteiras construídas pelas classes dominantes, mas nossas desiguais condições de vida.

    Após ''promulgada'' constituição da republiqueta foi PROIBIDO ser monarquista no Brasil. Isso ocorreu porque em 23/12/1889, o marechal Deodoro da Fonseca (Militar e Maçom) assinou o decreto N° 85-A, que proibia o questionamento da forma de governo da republiqueta. Depois, todas as constituições das republiquetas também adotaram como claúsula pétrea de censura contra o questionamento do segundo golpe o da republiqueta.

    Assim se resume ate hoje, essa forma de republiqueta das elites golpistas maçônica militar financeira encontrou para se legitimar, na sua consolidação pela lei maior da nação (constituição), no derramamento de sangue pela espada (armas). Essa claúsula pétrea só caiu na atual constituição em 1988.

    É óbvio que um trabalhador brasileiro tem muito mais identidade com essa bandeira vermelha, porque? Porque sempre os agentes da republiqueta das elites golpistas dos plutocratas gritam nossa bandeira jamais será vermelha. As massas de manobra dos vira-latas dizem sim e verdade.

    A ignorância é uma escolha

    Ignorância é a falta de conhecimento, de um mínimo de sabedoria, e também a crença firme em fatos sem questionamentos. Em maior ou menor nível, todos somos ignorantes, pois não há como dominar todo o conhecimento.

    A dúvida é a única porta para sair da ignorância. Tudo vai depender da quantidade de tempo e das fontes ao alcance do ignorante. Quanto maior for o distanciamento da certeza, maior o conhecimento, maior a capacidade para entender os fatos, desde que se procure comparar as fontes, a história, ouvir opiniões contrárias.

    A ignorância é trevas, o conhecimento, a luz.

    Estudar o passado, procurar saber como fatos históricos de desenrolaram, quais as causas, é antever de alguma forma o futuro.

    A maior armadilha em uma sociedade é a criação de ícones. O poder seduz, transforma, afasta da realidade, cria monstros.

    É sempre possível aprender com a história.




  2. Inicialmente como uma Fazenda Jesuítica que respeitavam as orientações Papais, eles não era permitido escravizar os nativos.  Quando possível, os utilizavam na catequização de outras tribos.

    Contudo, não havia restrições escritas quanto ao uso de mão de obra negreira. E dentro dos moldes “cristãos” da época, os escravos desta Fazenda recebiam melhores tratamentos do que na maioria das Fazendas dos territorios ultramarinos Portuguesas, tendo suas tradições mantidas pela Coroa mesmo após a expulsão dos Jesuítas do Brasil, pelo Marquês de Pombal.

    Os escravos aqui recebiam nomes portugueses, seus filhos tinham direito ao batismo, os casamentos seguiam as tradições católicas e após sua morte, recebiam as honras fúnebres e poderiam ser enterrados no quintal da Igreja; com a criação do “Campo Santo”, posteriormente, também poderiam ser enterrados no cemitério da Fazenda. Diferente das senzalas superlotadas e insalubres ocorridas na maioria dos casos, aqui elas eram unifamiliares (uma por familia) dividida em dois Bairros na frente da Sede da Fazendas Pacotiba (126 casas) e Limeira (106 casas).

    Cada núcleo familiar recebia uma roça, na qual aos sábados, domingos e dias de guarda (feriados religiosos) eles poderiam trabalhar por conta própria (seja para alimentar a família ou para produção e venda independente).

    Além do mais, há registro de um primeiro “hospital” voltada a população escrava, onde cuidavam de escravos  cegos, enfermos ou acidentados, tendo registro de aqueles que não teriam mais condições de retornar as atividades laborais eram alimentados e cuidados no hospital até o fim de suas vidas.

    Ao lado do hospital, diariamente as 9h da manhã os filhos livres de escravos tinham direito a uma refeição  cedida pela Fazenda: Arroz, Feijão e Farinha.

    Tantas “regalias” fez com que o número de evasão e fugas registradas na Fazenda Santa Cruz fosse bem menor do que nas demais.


    Temos que busca apresentar uma discussão a respeito da  relação que os padres da Companhia de Jesus mantinham com a escravidão dos Povos pretos na América portuguesa, mais especificamente na capitania do Rio de Janeiro, ao longo do período como território ultramarino.

    A análise procura entender seu comportamento e, ao mesmo tempo, identifica a Ordem como uma das maiores proprietárias de escravos no continente americano. A existência das fazendas inacianas fazia com que numerosos contingentes de escravos fossem incorporados aos seus bens, e os jesuítas passaram a ser efetivamente senhores de terras e de cativos, muitos deles nascidos em suas fazendas ou nas localidades próximas. Começava aí um dos vários problemas enfrentados pelos inacianos em terras brasileiras e, posteriormente, em diferentes partes das Américas.

    FONTES PESQUISAS:

    OS ESCRAVOS DA FAZENDA JESUÍTICA 

    DE SÃO CRISTÓVÃO

    https://www.redalyc.org/journal/1346/134658381014/html/

    REPRODUÇÃO ENDÓGENA E MESTIÇAGENS DOS ESCRAVOS

    NAS FAZENDAS JESUÍTICAS

    file:///C:/Users/User/Downloads/1360-Texto%20do%20artigo-4819-1-10-20140922%20(1).pdf





  3. “Foram 15 anos de pesquisa encontrando fontes primárias, referências bibliográficas de publicações portuguesas, italianas, espanholas, americanas, inglesas e brasileiras. O tema polêmico e instigante foi camuflado pela história oficial de Portugal e do Brasil”, confessa Iarochinski, afirmando que não foi tarefa fácil, “como também não foi a decisão de publicar a obra.” 

    A premissa foi a de que o Reino de Portugal não descobriu o Brasil, em 1500 como é festejado. O livro comprova que Cabral veio ao hemisfério Sul apenas para oficializar uma antiga posse. O descobrimento do Brasil, conforme atesta carta e mapa guardados no Museu do Vaticano e na Torre de Belém, em Lisboa, foi realizado, em 1342, pelo capitão português Sancho Brandão. 

    Antes mesmo de Pedro Álvares Cabral oficializar a posse das terras brasileiras, outro português, Duarte Pacheco Pereira, esteve nas costas brasileiras, em 1498, e na volta a Lisboa escreveu seu livro “Esmeraldo Situ Orbis”, que ficou censurado por mais de 400 anos. 

    O porquê de Dom João II e Dom Manuel I manter segredo sobre descoberta de 1342 por tanto tempo é explicado pela pressão exercida pelo Papa Alexandre VI — o valenciano Rodrigo Borges — súdito do Rei Fernando de Aragão, que desejava tornar as descobertas portuguesas realizadas por navegadores de origem judaica, feitos exclusivos da Rainha Católica de Castela, Isabel I. 

    Ulisses Iarochinski faz revelações importantes, escondidas, mascaradas pela história oficial e o ensino escolar brasileiro. Apresenta quem eram, na verdade, os personagens dos grandes descobrimentos como Henrique de Avis, João Gonçalves Zarco, Vasco da Gama, Cristóvão Colombo, Gaspar da Gama e Fernando de Noronha. 

    Para o professor doutor em história e arqueólogo Fabrício J. Nazzari Vicroski “Aqueles que conhecem as demais publicações do pesquisador Ulisses Iarochinski, certamente estão familiarizados com a sua escrita provocativa e combativa. As provocações suscitadas em suas obras ocorrem no âmbito da produção do conhecimento científico. Iarochinski é movido pela curiosidade acadêmica e pelo jornalismo investigativo. É um provocador no sentido positivo do termo, pois suas propostas interpretativas – fundamentadas em farta documentação histórica -, praticamente nos obrigam a minimamente cogitar a possibilidade de leituras alternativas dos acontecimentos. Uma vez provocados e instigados por Ulisses Iarochinski, nosso senso crítico não nos permite mais retornar à comodidade letárgica das versões históricas tradicionais e desprovidas de cunho analítico”. 

    Vicroski acrescenta que “o autor nos lembra que a função do historiador não é somente recordar, mas sim questionar, problematizar e investigar, evidenciando ainda que a práxis historiográfica, além de nos colocar em posição de desconforto com relação às interpretações já consolidadas, também é um processo em constante construção. Citando iarochinski, “sempre é bom saber a realidade e não apenas cuidar da repercussão dissimulada”. 

     Publicado pela amazon.com o livro “O Brasil de 1342 

    Descoberto por Sancho Brandão 

    do jornalista paranaense Ulisses Iarochinski.

    O Autor 

    Ulisses Iarochinski é escritor, jornalista, radialista, historiador, professor, poeta, ator e cineasta. Publicou os livros “Saga dos Polacos – a Polônia e seus emigrantes no Brasil”, “Polaco – identidade cultural do brasileiro descendente de imigrantes da Polônia”, “Cruz Machado – Lenda virou história”, “Revelando o Contestado”, “Escrevendo para falar no rádio”, “Saci”, “Viva Zé – o Ator do Paraná”, “Sepultados em Harmonia”, “Lublin com Amor”, “Polacos do Brasil – a etnia em números e sobrenomes”, “Monte Alegre Sempre – trajetória histórica de um lugar” e “O Brasil de 1342 – descoberto por Sancho Brandão”. Participou com artigos nos livros “Polscy Brazylijczycy – Brasileiros-Poloneses” da Editora da Universidade Maria Skołodowska Curie, de Lublin – Polônia e “Modernidade em cena – 50 anos de teatro em Curitiba” da Editora Kotter de Curitiba.

     "Descobrir" significa "encontrar o que era desconhecido". E para você provar que encontrou algo (principalmente novos territórios), você precisa revelar esse encontro para o mundo. Se você não revelar, o território continua desconhecido. E se continua desconhecido para o mundo… não foi descoberto.

    É como você encontrar algo e guardar somente para si. Quando vier outra pessoa, encontrar aquilo, e revelá-la ao mundo, adivinhem quem será o descobridor?

    É por esse motivo que, durante a Era dos Descobrimentos, os navegadores (principalmente portugueses), quando encontravam algum território, tratavam logo de instalar lá um padrão de pedra, reivindicando aquele território para seu país, PROVANDO que o descobriram. Ou seja, revelando sua descoberta ao mundo.

    Hoje já está provado que os vikings estiveram na América do Norte. ESTIVERAM. Mas nem mesmo eles sabiam que estiveram em um novo continente. E durante séculos ninguém ficou sabendo disso. Até o início do século XVI, os europeus sequer sabiam que a América existia.

    Há relatos de que irlandeses e mesmo portugueses tivessem, durante a Idade Média, chegado a algum território no Atlântico, a mitológica ilha de "Hy Brazil". Ou seja, o nome "Brasil" existia muito antes do país Brasil ser descoberto em 1500. E nem se sabe se realmente é o território da América do Sul onde hoje fica o Brasil. Podem simplesmente ter sido ilhas do Atlântico, como os Açores.

    Em 12 de fevereiro de 1343, o Rei de Portugal comunicou ao Papa Clemente VI, em carta escrita desde Montemór, o descobrimento da nova terra, a qual foi registrado nos "Documentos do Arquivo Reservado do Vaticano", livro 138, folhas 148/149, com um mapa da região descoberta, no qual se vê a inscrição "Insula do Brasil".
    Isto explica, em parte, porque ao contrário dos índios da América Central que receberam Colombo com arcos e flechas, os índios do Brasil receberam Cabral em paz, como se eles estivessem acostumados com as expedições portuguesas e também, quando Martim Afonso chegou a São Vicente, em 1532, na "expedição povoamento", aqui já encontrou João Ramalho, que vivia na tribo de Tibiriçá, casado e com filhos.


  4. Foi o mais poderoso navio da sua época em todo o mundo e era um autêntico senhor dos mares. Descubra a fantástica história do Botafogo, o maior galeão português.

    Portugal dominou em tempos os mares com os seus imponentes navios, tendo um deles, o “Botafogo”, ficado para a história pelo seu poder de fogo, impressionante para a época. Esta embarcação era um galeão, que se distingue dos restantes navios por ter quatro mastros, de alto bordo, armado em guerra, e que eram frequentemente utilizados para transporte de cargas de alto valor, entre os séculos XVI e XVIII. 

    O galeão São João Batista, conhecido como o “Botafogo”, foi o navio de guerra mais poderoso do mundo na sua época. Foi construído em 1534, tinha um deslocamento de cerca de 1000 toneladas e estava armado com 366 bocas de fogo de bronze, o que lhe dava um tremendo poder (e lhe deu também o seu nome popular). Este navio destacou-se em inúmeras batalhas, entre elas a conquista de Tunes, em que Carlos V solicitou apoio naval aos portugueses e requisitou especificamente o “Botafogo”. 

    Nessa batalha, o “Botafogo” foi comandado pelo infante D. Luís, irmão de D. João III e cunhado do imperador Carlos V. Este navio liderou o ataque a Tunes e foi o seu esporão que acabou por quebrar as correntes do porto de La Goleta, permitindo que a armada cristã entrasse na cidade

    Ligado à história e nome do galeão “Botafogo”, está um nobre da cidade de Elvas, João Pereira de Sousa, famoso por ser o responsável pela artilharia do navio. Ficou para a história com a alcunha de “Botafogo”, tendo a alcunha sido incluída no seu apelido e passada aos seus descendentes. Mais tarde, esse nobre estabeleceu-se no Brasil, tendo recebido da Coroa Portuguesa terras junto à Baía de Guanabara, tendo a área ficado igualmente conhecida por “Botafogo”.

    Com a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, na sequência da primeira invasão francesa a Portugal, o bairro de “Botafogo” mudou radicalmente, passando de um bairro rural ao local preferido dos nobres, que aí construíram as suas residências. É por essa razão que ainda hoje existe um famoso bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro com o nome de “Botafogo”. 

    Ainda hoje, em alguns lugares da China, perto de Macau, existe uma velha lenda sobre o poderoso navio Botafogo, que voltará do fundo do mar para vingar os comerciantes portugueses assassinados. A Lenda surgiu quando os portugueses derrotaram os temíveis piratas Singh, que eram inimigos do imperador chinês e, como recompensa por esta vitória, o imperador permitiu que os portugueses ocupassem Macau.

    Mas apesar de o Botafogo ter sido o mais famoso e o mais poderoso dos galeões portugueses, existiram outros, construídos mais ou menos na mesma época, que em quase nada lhe ficaram atrás: no tamanho, na capacidade de carga e no poder de fogo. Afinal de contas, Portugal tinha um Império vastíssimo e precisava de um conjunto enorme de navios (naus, caravelas e galeões) para proteger as suas possessões e para transportar mercadorias.

    Por ironia do destino, muitos dos melhores galões portugueses foram destruídos ao serviço de outro país: a Espanha. Aquando do domínio filipino, a Espanha envolveu-se numa guerra com a Inglaterra e resolveu formar a chamada “Invencível Armada” que era, na sua maioria, constituída por navios portugueses, entre os quais alguns galões. Como é do conhecimento geral, a Armada afinal não foi invencível.

    Muitos dos navios portugueses foram destruídos, comprometendo assim seriamente o Império Marítimo Português, que ficou sem forma de defender as suas cidades contra o ataque dos holandeses, por exemplo.

    Para suprimir a falta das naus e galões que foram destruídos na guerra da Espanha contra Inglaterra, Portugal construiu 21 novos galeões. Muitos deles desempenharam as suas funções durante bastante tempo. Outros duraram menos de um ano: foram capturados por frotas inimigas ou naufragaram. Dos mais famosos galeões portugueses, destacam-se os seguintes, para além do Botafogo:

    Galeão São Paulo: construído em 1589, pesava 500 toneladas e media 50 metros. Teve como “irmãos gémeos” os galões São Filipe, São Bartolomeu, São Pantaleão e São Pedro, todos construídos no mesmo ano. Fez apenas uma viagem até à Índia. Naufragou no regresso a Portugal, provavelmente devido a excesso de carga.

    Galeão Santiago: construído em 1602, podia transportar até 300 pessoas e foi incorporado na Carreira das Índias. Numa dessas viagens, já de regresso a Portugal, o galeão parou na Ilha de Santa Helena para abastecer-se de água e comida (como era hábito). Foi surpreendido por navios holandeses e capturado pelos mesmo.

    Galeão São Martinho: contruído em 1580, era um navio poderosíssimo e foi o escolhido para comandar a Invencível Armada. Ficou muito danificado durante a batalha mas conseguiu regressar a Portugal, comandando os restantes navios que sobreviveram ao embate. No entanto, nunca mais voltaria a navegar.








  5. A Bahia nestes dias está em festa por causa de uma nativa que viveu nas primeiras décadas do século 16, logo após a chegada de Cabral ao litoral sul baiano. Catarina Paraguaçu, nativa tupinambá que há 495 anos se converteu ao catolicismo na França, é considerada a “mãe das mães brasileiras”, a matriarca do Brasil, e isto não é um mero título honorífico: sua união com o português Diogo Álvares, o Caramuru, simboliza a mistura de raças e culturas que deu origem à identidade nacional. Ela é, portanto, um marco fundamental da formação daquilo que chamaríamos de “alma brasileira”.

    Por Luis Pellegrini

    Catarina Paraguaçu foi pioneira em muitos pontos: também foi a primeira mulher alfabetizada do Brasil, pois aprendeu a ler e escrever em francês quando acompanhou seu marido à França em 1526. Ela foi batizada em Saint-Malo com o nome de Catarina do Brasil e recebeu a bênção do próprio rei da França, Francisco I, também conhecido como “rei-cavaleiro”.

              


    Além disso, Catarina Paraguaçu teve uma forte devoção à Virgem Maria e foi agraciada com visões místicas em seus sonhos. Ela teria sonhado com náufragos que precisavam de ajuda e com uma imagem da Virgem com o Menino Jesus que foi encontrada na praia. Ela mandou construir uma capela para abrigar a imagem, que hoje está na Igreja da Graça, em Salvador, onde ela também está sepultada. A Igreja todos os anos realiza grande missa comemorativa em memória a Catarina e seu marido Caramuru.

    Igreja de Nossa Senhora da Graça é sua última morada


    Fazendo uma pequena digressão, quem conhece o Bairro da Graça, em Salvador, sabe que se trata de um dos mais belos e tradicionais da cidade, no qual ainda existem mansões e verdadeiros palacetes, que resistem heroicamente à sanha demolidora de monumentos históricos e artísticos, que há cerca de 100 anos vem fazendo estragos irreparáveis à arquitetura tradicional e de bom gosto de nossos prédios através dos quais podíamos idealizar  e melhor compreender o que foi a Cidade de Salvador nos séculos passados.

    O bairro da Graça possui uma das Igrejas mais antigas da Bahia que seguramente é a primeira dedicada a Nossa Senhora em nossas baianas. O local no qual a Igreja está edificada tem  um grande significado na história da cidade, pois ali residiram  os dois legendários personagens acima mencionados, Diogo Álvares Correia, o Caramuru e  Catarina Paraguaçu.

    Catarina e o marido, Caramuru

    Não se sabe a data certa do nascimento de Catarina, mas levando em consideração a documentação de seu batismo, que ocorreu em Saint Malo na França, em 28 de julho de 1528, quando tinha ela em torno de 16 anos, presume-se que ela nasceu em 1512.
    Com Caramuru teve 4 filhas e veio a falecer em 1586. Seu testamento existente até hoje, deixa seus bens para os monges beneditinos. Seus restos mortais repousam na Igreja da Graça, em Salvador. Segundo sua certidão de batismo encontrada no Canadá (!), seu nome verdadeiro seria “ Guaibimpará” e  não “Paraguaçú” (nome que significa “mar grande”), como escreve Frei José de Santa Rita Durão em seu poema” Caramuru”.
    Filha do morubixaba Taparica, da nação Tupinambá, casou-se com o português Diogo Álvares Correia, conhecido como” Caramuru” – Homem de fogo.

    Pintura mostrando Catarina que salva seu futuro marido da morte pelos tupinambás

    Conforme a legenda dourada em torno da vida deste insólito personagem, indissoluvelmente associada à de sua esposa, a embarcação em que vinha Diogo, proveniente da Europa, naufragou no mar da Mariquita em 1510, no Rio Vermelho, Baía de Todos os Santos. Seus companheiros foram mortos pelos tupinambás, mas ele conseguiu sobreviver, por seu espírito animado e alegre, e porque dias após, disparou de forma certeira e mortal seu mosquete sobre uma ave e com isto amedrontou e encheu de admiração os nativos, que assustados gritaram: Caramuru – que significa “ homem  de Fogo”, ou algo assemelhado. A partir de então, passou a viver entre os tupinambás, com este nome, prestando-lhes grandes serviços, seja no campo de batalha como da mediação e arbitragem com outras tribos.

    Catarina é hoje é personagem do sincretismo afro-nativo-brasileiro

    De acordo com o costume terrível de alguns povos das florestas que aqui habitavam, ele ia ser por eles devorado mas salvou-se graças aos disparos de sua arma e à intercessão da índia Paraguaçu, junto a seu pai que era o cacique da tribo. Embora ela estivesse prometida ao nativo Gupeva, seu pai deu-a em “casamento” a Caramuru e quando já tinham filhos viajaram para a França.

    A igreja de Saint-Vincent-de-Saragosse, antiga Catedral de Saint-Malo, na Bretanha, onde Paraguaçu foi batizada, em 1528, época em que o monsenhor Lancelot Ruffier era o vigário (padre que auxiliava o bispo). Antigos registros mostram que Ruffier realizou vários batismos nesta Catedral desde 1518, ou antes.

    A Igreja abriga o túmulo do navegador francês Jacques Cartier (1491-1557), amigo de Caramuru e tinham cerca da mesma idade.

    Termo de Batismo de Paraguaçu

    Le pénultime jour du moys surdit (Juillet 1528) fut baptisée Katherine du Brézil, et fut compère noble homme Guyon Jamyn, recteur de Saint-Jagu, et commère Katherine des Granches et Françoise Le Gobien, fille de l'aloué de Saint-Malo, et fut baptisée par maitre Lancelot Ruffier, vicaire curé du dit lieu, le dit jour et an que dessus. ― P. Trublet. 

    "No penúltimo dia do dito mês (julho de 1528) foi batizada Catarina do Brasil, e foi padrinho o nobre senhor Guyon Jamyn, reitor de Saint-Jagu, e madrinha Katherine des Granches, e Françoise Le Gobien, filha do procurador de Saint-Malo, e foi batizada por monsenhor Lancelot Ruffier, vigário do dito lugar, no dia e ano acima."

    Notas:

    O livro contendo o registro original de batismo de Paraguaçu, guardado nos arquivos municipais de Saint-Malo, esteve em Salvador, em dezembro de 1999, por época das comemorações dos 450 de fundação da Cidade.

    Katherine des Granches, a madrinha de Paraguaçu, era esposa de Jacques Cartier, o navegador francês, nascido em Saint-Malo, e um dos primeiros exploradores da América do Norte. Esteve na Bahia em 1527, levando Caramuru e Paraguaçu para a França.

    Alfabetizada em francês

    Chegaram em Paris e foram acolhidos pelo Rei Francisco I que providenciou o batismo da nossa nativa e seu casamento cristão com Diogo Corrêa, o qual foi celebrado por um bispo em Saint-Malo. O Rei e a Rainha foram seus padrinhos e a ela foi dado o nome Catarina. Voltando à Bahia, o casal foi muito importante no estabelecimento de alianças e de uma boa convivência entre os nativos e os portugueses.

    Suas filhas casaram-se com povoadores portugueses vindos com Martim Afonso de Sousa, dos quais descendem, entre outras famílias importantes, os Garcia d’Ávila. Quando o primeiro Governador-Geral, Tomé de Sousa, chegou à Bahia em 1549, Caramuru ainda vivia, assim como durante o governo de Duarte da Costa.

    Catarina Paraguaçu foi uma mulher de grande importância para a formação da alma brasileira, pois representou a integração entre os povos das florestas e os povoadores europeus, a difusão da fé cristã e da cultura letrada, e a valorização da diversidade e da tolerância. Ela é uma figura histórica e lendária que inspirou obras literárias, artísticas e cinematográficas.





  6. Sabe-se que os portugueses já no ano de 1343, ou antes dele aqui estiveram, enviados pelo rei de Portugal,  Afonso IV, filho de D. Dinis. 

    Afirma-nos Roberto Costa Pinho que “o primeiro registo da Ilha Brasil encontra-se na Carta Náutica do cartógrafo genovês Angel Dalorto, elaborada  em 1325, onde ela figura a oeste da costa sul da Irlanda, 175 anos antes do Brasil ser oficialmente descoberto.”

    Como podia um cartógrafo genovês saber da existência desta terra, que os irlandeses da época passaram depois a chamar de Ilha de São Brandão? De duas maneiras: ou porque teve acesso a mapas existentes (como os dos templários)  – assunto de que falaremos mais à frente - ou porque, já nessa época, navegadores portugueses, orientados por genoveses, cruzavam os mares e aportavam no Novo Mundo.

    Esta última hipótese sem dúvida é plausível, pois convém lembrar  que o rei D. Dinis, de Portugal, nascido em 1260 e considerado o pai do projeto dos descobrimentos, contratou navegadores genoveses para construção  da primeira armada portuguesa, com vistas às navegações marítimas futuras. Foi este monarca que plantou pinhais pelo reino, para fornecer a madeira necessária ao feitio das embarcações.

    O ano de 1325, em que apareceu a Carta Náutica de Ângelo Dalorto, foi também o ano em que morreu D. Dinis, subindo ao trono seu filho Afonso IV. Dezoito  anos após a morte de D. Dinis, em 1343, foi oficiada ao papa a descoberta  da Ínsula Brasil, conforme regista Felipe Cocuzza: “Sancho Brandão foi o navegador português que, a mando de D. Afonso IV chegou ao Brasil na Idade Média, conforme atesta Assis Cintra, em seu livro “Revelações Históricas para o Centenário”, em 1923. Essa navegação foi informada por D. Afonso IV ao papa Clemente VI em carta de 12 de fevereiro de 1343, acompanhada de um mapa com a inscrição de “Ínsula do Brasil ou de Brandam”.

    O nome Sancho, de Sanctius, o mais santo, ajudou a convergência para São Brandão”. Segundo este mesmo autor, mapas e textos europeus da Idade Média, entre eles o célebre “The Canterbury Tales”, de Geolfroy Chaucer (1380) ligam sempre o nome do Brasil ao de Portugal, às vezes dando a ideia inequívoca  de posse: Brasil de Portugal.

    Esta “descoberta” de 1500 foi, portanto, uma “tomada de posse”, uma vez que os reis-templários  de Portugal já sabiam da existência dessas terras muito antes dessa navegação ordenada pelo rei Afonso IV, aliás preparada pelo seu pai, D. Dinis, chamado por Fernando  Pessoa de “plantador  de naus”.


    Autor: Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco 

    Sinopse: Este livro trata da História que não nos foi contada nos bancos e nos livros das escolas, que é a realização do Quinto Império (o Milénio ou a Parúsia) na Terra a partir do Brasil. Revela que desde sempre o ser humano esperou e trabalhou por um Mundo Novo de Justiça e Paz que um dia deveria ser organizado para todos, e os poderosos nos impediram de chegar lá. Profetas, homens e mulheres do povo, artistas, santos, e até alguns nobres e ricos viveram e morreram por este ideal. 

    Os tempos parecem maduros para finalmente esta humanidade passar a ter uma existência mais de acordo com sua essência – pois nascemos para a Verdade, a Beleza e a Bondade. O Povo está pronto para essa reversão – porém os poderes, principalmente os do Quarto Império já moribundo, ainda resistem pois desconhecem aquilo que irá beneficiar a eles próprios. A ciência Trilogia Analítica de Norberto Keppe dá sua grande contribuição para que, neste tempo, possamos tratar de nossa psico-sócio-patologia, ainda inconsciente de praticamente todos. E a Nova Física, elaborada a partir dela, poderá ser a maior revolução tecnológica de todos os tempos.

     

    Nº de págs.: 436 

    ISBN: 978-65-5789-032-5 

    1ª edição: 2000 

    6ª edição: 2021

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    LIVRO - Revelações Históricas Para o Centenário

    https://archive.org/details/rev_cent/mode/2up 


                                                                      SITE

          https://keppepacheco.edu.br/historia-secreta-do-brasil/


    Saudações sinceras do Centro Administrativo Monárquico Imperial Trastâmara Avis.

    Estamos a contactar pessoas com estabilidade financeira e que sintam em seu coração o chamado de Cristo para nos ajudar a fortalecer o Maior Movimento Monárquico do Brasil, Portugal, Algarves e demais domínios da Ordem de Cristo e Coroa Lusa-Afro-Brasileira, uma vez que o Sistema da Republiqueta das elites golpista que forjou um sentimento de nação de vira-latas usurpou e se apossou dos bens da família Real e do povo de bem, que sempre foram fiéis a fé cristã e leais aos monarcas.

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    Ficamos gratos e saberemos honrar a quem de direito deve ser honrado ou honrada, nossa Cavalaria da Ordem de Cristo agradece, que Cristo abençoe a todos sempre!


    Somos Monarquistas Sebastianistas na propagação  da restauração da Monarquia. O Brasil foi uma Nação unida, soberana e independente, fundada D. João VI sob a forma de Estado com Monarquia Tradicional (Monarca, Família, Coroa e Cortes (Clero, Nobreza e o Povo), com forma de Governo e Administração com Repúblicas Locais tendo o regente da coroa ate o retorno da dinastia de Avis que tem o compromisso com o Senhor de Orique. Que vigorou no Brasil de 1532 a 1822 em Portugal 1139 a 1902.

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    O povo que não sabe de onde veio, não sabe para onde vai.

    O Sebastianismo representa a consciência coletiva do renascer do Império Lusitano, presente no coração dos monarquistas verdadeiros, com sentimento de união dos valorosos povos Lusitano.

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  7.  

    ESTA É A HISTÓRIA!


    No século 19, escravos eram executados se engravidassem escravas sem serem "credenciados"

    Em março de 1844, um escravo negro de Três Riachos pagou com a vida por ter engravidado uma escrava de uma fazenda de São Miguel, Biguaçu. Parece absurdo, mas aconteceu. É o que conta Jaime Coutinho, 78 anos, um dos cidadãos mais antigos da comunidade de São Miguel, lembrando-se de antigas histórias contadas de geração a geração.

    A execução do negro "Rafael" foi registrada e consta em vários livros sobre a história do município de Biguaçu. No entanto, no documento, não se informava o motivo da sentença do escravo. Os historiadores especulam que, para receber a pena capital, o escravo deve ter assassinado seu senhor. Errado, testemunha Jaime Coutinho. O escravo foi sentenciado à morte porque não era "baguá", isto é, o "garanhão" credenciado para engravidar escravas.

    O infeliz teve o azar de o dono da escrava engravidada reclamar para seu senhor. Este último resolveu "dar uma lição" ao escravo Rafael. Sua condenação à morte serviria de exemplo aos outros escravos que viessem a "se engraçar" com as escravas sem a autorização dos donos delas.

    Por que tamanho castigo? Os senhores de escravos da região de Biguaçu no século 19 pensavam que, se as escravas fossem engravidadas por escravos desobedientes, os filhos dessa união puxariam a índole do pai, isto é, tornar-se-iam desobedientes. Daí os senhores selecionarem os "machos" de suas escravas. Esses "garanhões" eram chamados de "baguás", informa Coutinho, lembrando de velhas histórias de sua mãe Maria da Rocha Linhares (dona Lola, 1900-1996) e outros parentes seus nascidos no século passado, hoje falecidos.


    Negros de classe

    No século 19, os negros não eram considerados gente. Tanto é que sequer tinham sobrenome. O costume é o mesmo de hoje com relação a cachorros, gatos e outros bichos. Por acaso, alguém dá sobrenomes aos animais? Sendo considerados "animais", os senhores faziam o mesmo que fazem hoje criadores de éguas de raça: não permitem que suas éguas sejam emprenhadas por "pangarés", mas por garanhões de alta linhagem escolhidos a dedo. Afinal, os criadores de cavalos de raça querem prole puro sangue tal como os senhores de engenho do século passado desejavam escravinhos fortes e obedientes como os pais "baguás".

    Quem eram os "baguás"? Eram os "negros de classe", como eram chamados na época os escravos obedientes e serviçais. Cada senhor tinha seu(s) escravo(s) preferido(s). Estes escoltavam os senhores em suas andanças. Muitas vezes eram tão fiéis ao patrão que denunciavam os companheiros que tramassem alguma coisa contra o senhor. Por isso, os "negros de classe" gozavam de regalias. Não faziam o trabalho duro da roça como os outros escravos. Muitas vezes, em retribuição, o senhor dava a permissão ao "negro de classe" virar "baguá". Mas para ser "baguá" não bastava ser obediente. Era preciso também ser forte e robusto. Se o escravo fosse fiel e robusto, a promoção para "baguá" era rápida.

    Segundo Jaime Coutinho, o ritual do "engravidamento" começava com o senhor mandando as escravas irem para o "mato". Logo depois chamava o "baguá". Dava o nome das escravas e ordenava: "Vá capinar com elas". Entendido o recado, o "baguá" partia para a "missão", embrenhando-se na mata atrás das escravas indicadas pelo senhor.

    Não se sabe se as escravas resistiam ou cumpriam a "ordem" sem protestar. O fato é que, meses depois, os escravinhos nasciam. Conforme Coutinho, muitos dos filhos dos "baguás" eram vendidos para capitães de navios vindos da Argentina e Paraguai que paravam em São Miguel para abastecer-se de água, vinda de um aqueduto que avançava vários metros após a praia. As crianças eram trocadas por carne.

    EXECUÇÃO

    Rafael era um escravo de apenas 18 anos. Não se sabe os detalhes de como Rafael veio a conhecer e engravidar a escrava de São Miguel. Sabe-se, segundo Jaime, que o escravo saiu de sua fazenda de Três Riachos, subiu a serra, indo parar em São Miguel.

    O escrivão esqueceu de mencionar o dia do enforcamento naquele março de 1844. A forca foi instalada no alto de um morro próximo à igreja matriz de São Miguel, ao redor de uma grande plantação de café. Nesse morro, fica hoje um belo casarão de propriedade da família Nass, do falecido farmacêutico de Biguaçu Helmut Nass.

    A execução foi assistida pela população local. Muitos pais trouxeram seus filhos para assistir o "espetáculo", entre eles Thomé da Rocha Linhares, que levou seu filho Manoel, na época uma criança pequena. Thomé foi o primeiro superintendente de São Miguel (mais tarde Biguaçu), governando o município em 1833. Manoel é o avô materno de Jaime Coutinho. "Meu bisavó Thomé levou meu avô Manoel para assistir o enforcamento advertindo o filho a ser bonzinho", observa Jaime Coutinho.

    A história sobre os "negros reprodutores" em São Miguel (hoje distrito do município de Biguaçu) é um tema inédito que nenhum historiador ainda explorou. Esse estudo dará, certamente, uma interessantíssima dissertação sobre a história da escravidão em Biguaçu, o quarto município mais antigo de Santa Catarina.


    MEMÓRIAS DE UM EX-ESCRAVO

     REPRODUTOR EM MAGÉ

    João Antônio Guaraciaba nasceu no dia 20 de setembro de 1850. Preto, alto, forte, viveu grande parte de sua vida em Magé, Estado do Rio de Janeiro, onde morreu velho, enrugado e de carapinha branca com seus bem vividos 126 anos. Gostava de andar, mas seus passos ficaram lentos denunciando o peso da idade, o reumatismo e as “oito picadas de cobras que levou na perna direita, de tanto viver nos matos”, apesar de “lúcido e ainda enxergando bem para longe e sem sofrer de surdez”. Filho de mãe angolana que o teve aos quinze anos, e o Barão de Guaraciaba “um mestiço fazendeiro comprador de escravos negros na África onde conheceu sua mãe Angelina, então negra forte e bonita”. Depois de engravidá-la, prometeu buscá-los em outra viagem, trazendo-os assim para o Brasil num veleiro negreiro. João tinha apenas quatro anos de idade. Registrado em Magé, onde “tirou certidão com testemunha e tudo”, como filho do barão e Angelina Maria Rita da Conceição (nome cristão), “por que naquele tempo não tinha disso não, a data do nascimento passava de boca em boca, de parente para parente”.

    Quando foi para Mauá, então Guia de Pacobaíba freguesia de Magé, João tinha 17 anos, levado pela mão de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá “para tirar (procriar) raça de crioulo escravo para o Imperador, que conheceu aquele preto forte na fazenda do Barão de Guaraciaba, onde passou uns tempos e pensou até que ele era escravo. Chegou a querer comprá-lo, mas o pai disse que não vendia, por que João era seu filho”. Ao chegar a Pacobaíba, na barca do Barão de Mauá aquele negro de “mãos de dedos longos, braços fortes, capaz de segurar com força as mulatas e crioulas da fazenda”, viu pela primeira vez “o trem vomitando fogo e fumaça” e apesar de não ter sido escravo, “trabalhou no porto onde os barcos veleiros atracavam”. Viu diversas vezes o Imperador desembarcar no cais de Pacobaíba e pegar o trem para Raiz da Serra onde embarcava na charrete até Petrópolis. “Era um homem sempre com o rosto limpo e bem tratado”. Ficou em Pacobaíba fazendo alguns serviços para o Barão até “despois que apanhei idade é que fui escolhido para tirar raça. Na minha fazenda só tinha eu de reprodutor”. Segundo suas próprias palavras, ele só foi levado para as fazendas de Petrópolis e Correias com 23 anos de idade quando assumiu sua nova “obrigação”.

    Guaraciaba afirmou que deixou mais de 300 filhos: 100 para D. Pedro II e 200 para o Barão de Mauá, fora os que teve com as mulheres da fazenda de seu pai em Campos, ainda adolescente. “Ficou nessa vida de reprodutor deitando com duas, três, quatro mulheres por dia nas senzalas em que o Barão e o Imperador mandavam até os 38 anos, quando a Princesa Izabel aboliu a escravidão” A história registra que quando João nasceu em 1850, a Lei Eusébio de Queiroz confirmava a Lei de 1831extinguindo o tráfego de escravos, punindo com penas severas os infratores. Seguiu-se a Lei dos sexagenários de 1855. A Lei de 1869 libertando os servos que fossem para a guerra do Paraguai. A Lei do Ventre Livre de 1871, e finalmente a Lei da Abolição de 1888. João se lembrava que depois que surgiu a Lei do Ventre Livre, todos continuaram escravos, “agregados às fazendas sem outro ganho que não a casa e comida simples”. Foi escolhido para ser reprodutor por que “era preto de Angola”. Os senhores queriam pessoas bem fortes para esse serviço. “Se nhô quer saber: nas fazendas que eu ficava aquelas que não panhavam prenhez comigo eram vendidas para outros fazendeiros. Os donos tinham muito interesse em mulher que reproduzisse, pra ter mão-de-obra barata, pra trabalhar a cana, o café e a mandioca”.

    Achava a “atividade” legal por que “era premitido”. Ele gozava de regalias que o resto da negrada não tinha. “Jamais entrou no chicote, nem foi açoitado no tronco ou acorrentado. Nunca levou bolo de palmatória ou teve pés e mãos amarradas no instrumento de tortura chamado “vira mundo”, onde muito escravo morreu. Às vezes morriam com gangrena, de tanto esfregarem os braços nas correntes para se soltarem cortando a carne que infeccionava”. Com ele foi diferente, embora trabalhasse com os escravos do Imperador, ajudando na lavoura quando podia, tanto que era aposentado pelo Funrural e recebia mensalmente por um banco de Magé Cr$ 300,00. “É muito pouco” dizia ele “não dá pra viver não. Se não fosse os amigos não sei o que seria”. João também lembrava das canções cantadas no eito pelos escravos. Trocando branco por baranco ou furta por fruta, cantava o “Lundu do Pai João” que falava de justiça: “Baranco dize: preto fruta / preto fruta com razão; / Sinhô baranco quando fruta / quando panha casião; ./ O preto fruta farinha / fruta saco de feijão; / Sinhô branco quando fruta / fruta prata e patacão; / Nego preto quando fruta / vai pará na correção. / Sinhô baranco quando fruta / logo sai sinhô barão”.Ele era o único na fazenda que não pagava no pesado. Boa alimentação e descanso, quando nas senzalas as escravas já o esperavam. “Era uma de cada vez na cama”. João sorri mostrando seus dois únicos dentes amarelos. “De vinte que entravam, quinze pegavam filho”. Quando seu pai o entregou ao Imperador, sabia que ele iria ser “cobridor de mucamas”.

    Sua descendência se espalha pela Baixada e na Serra, incluindo parentes do Barão de Guaraciaba, “mas quase não vejo”. Antigamente subia a serra até Petrópolis de trem, mas desde que o Presidente Castelo Branco extinguiu a ferrovia Mauá-Petrópolis por ser antieconômico, raramente ia de ônibus.

    “Companheiro do Aleixo, no mundo acho no mundo deixo” dizia ele repetindo um ditado popular de seu tempo. Mesmo numa época em que a Igreja vigiava o comportamento sexual das pessoas, muita negra teve filho de senhores e muita senhora amaldiçoou seu marido. Gostou de algumas escravas, mas como lembrar do “jeito” delas se o tempo passou. Muitas já morreram. O que sabe é que tem filhos espalhados “pela aí” de setenta, oitenta anos e que seus traços estão no olhar e no requebro de alguma mulata de hoje, nos ombros largos e nariz afilado de algum crioulo descendente afastado de alguns de seus trezentos filhos. Naquele tempo, não bebia nem fumava “pra não estragar o corpo”. Gostava de festas: São João, São Pedro, Santo Antônio, São Jorge, São Marcos, e São Sebastião. Gostava de ver capoeiras darem os botes. Cantava e pulava até de Madrugada. Gelados nem pensar, tiram a potência do homem. “Esses gelados pareceu depois da Abolição, não servem pra nada. Só pegou no Brasil por que faz muito calor e o pessoal gosta de refrescar, mas eu conselho a juventude evitar gelados, sorvetes”.

    Negro João fica meditando quando é indagado sobre quilombos. Fala sobre o da Vila de Marcos da Costa e o da serra de Santa Catarina, perto de Petrópolis.


    E os capitães do mato iam lá ?

    - Iam o que sinhô, então eles eram bestas? Eles se escondiam em barrancos, faziam emboscadas para as tropas, espalhavam armadilhas onde elas caiam.

    O preto velho que comandava o quilombo Marcos da Costa, mesmo doente de cama dava ordens: “vai catar o milho, vai cuidar dos porcos. Eles tinham de tudo, campos de gado, plantação de milho”. João conheceu muito crioulo que fugiu para esse quilombo “onde tinha um santo que veio da África e era o padroeiro do lugar, foi trazido pela fazendeira D. Inês, da Fazenda da Glória”. Cansados de verem tanta “malvadeza dos brancos” com seus irmãos de cor, a ponto de preferirem suicidar-se a continuarem escravos, a fuga era uma forma de se libertarem. Em Pacobaíba viu chegar muitos negros e muita negra mina natural de Angola. Uns destinados às fazendas, outros eram anunciados no “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro pelos agentes de escravos para serem vendidos em praça pública. Esse jornal publicava desde 1827 todo o movimento de navios com saída e chegada no porto. Compra, venda, aluguel e fuga de escravos, aconselhando que chamassem a polícia para capturá-lo e oferecendo recompensas a quem o levasse ao seu dono. João afirmava que escutou muita história de negros jogados no mar durante a travessia da África para o Brasil, “pelos comandantes que não queriam ser apanhados em flagrante fazendo tráfico de escravos. Abriam o porão e pronto, todos os escravos morriam afogados ou eram comidos pelos tubarões”.

    Os velhos falavam que era assim, coisa de gente muito ruim

    “Diz o preto reprodutor que nunca leu jornal, nem no Império nem agora, pois é analfabeto”

    “Guaraciaba ainda se lembra que a fazenda de Pedro II era ali em Mauá, perto do lugar conhecido por Ipiranga dos Remédios. Naquele tempo era católico, mas gostava de macumba. Hoje é Batista, vai aos cultos sábados e domingos”.

    Faz algum tempo, trabalhava no transporte de bananas com uma carroça e uma égua de sua propriedade, depois, passou a emprestar o animal ao compadre carroceiro para continuar o serviço, “por culpa de um reumatismo, principalmente no inverno, quando as dores aumentam”. Sobre os “feitores de escravos”, nem gostava de relembrar. Falava sobre a maldade e tortura contra os negros, crianças, mulheres e homens, amarrados no tronco e açoitados. Outros feridos a bala pelos senhores que experimentavam armas ou exercitavam a pontaria.

    - O pior fazendeiro que conheci foi Antônio Nicolino, um homão de quase três metros de altura que comprava 100 escravos de três em três anos. Com três anos de trabalho a negrada estava arrebentada de tanta surra. Aí ele mandava comprar aguarrás, fazia uma fogueira e matava aqueles mais fracos.

    - Eles pagavam os réis (impostos), e eram donos dos negros. Mas Deus é justo e Nicolino morreu pobrezinho e ninguém chorou (aí Guaraciaba fala sorrindo) por que todo mundo odiava ele.

    Nesse tempo João era rapazinho e esses crimes foram testemunhados na Fazenda do Morro Seco, em Vassouras, propriedade de Nicolino.

    - Tinha escravo que também era capataz e se juntava com os brancos para bater nos pretos, cercavam a negrada na mata e mandavam bala. Nhô não sabe, mais tinha fazendeiro que se desconfiasse que algum escravo roubou, matava, que era pru mode de não panhar costume.

    O velho Guaraciaba está cansado de falar e pára para tomar o café, servido na casa dos compadres onde concedeu essa entrevista. Bebe de um só gole e estala a língua. Perguntado se nunca teve mulheres firmes com quem viveu, diz que sim, a Maria Olina, a Maria Madalena e a Olícia Maria do Carmo, esta com quem, teve uma filha agora com 33 anos, Laura, que mora em Nova Iguaçu, casada com um comerciante português.

    “Os moradores de Mauá sabem de sua última mulher, Maria Olícia, que ele diz ser a mãe de Laura, morreu há três anos, com 50 anos. Aí o velho ficou mesmo só, dando suas caminhadas, mas ainda com vontade de caçar negas por aí”.

    Acordava de manhãzinha com o cantar dos galos e dormia às oito da noite. Só sabia das horas orientando pelo sol. Não tinha relógio. Perguntado se gostaria de conhecer Angola, país onde nasceu, disse que “gostaria, mas só se fosse de navio”, pois “acho bonito o mar”. São quatro horas da tarde e o velho Guaraciaba quer ir embora pra casa, “hoje não foi almoçar com seus outros companheiros crentes, comeu arroz, feijão e peixe aqui mesmo na casa do compadre Jorge Carroceiro. Quer ir descansar”. Aceita uma carona. Está chovendo e a tarde vai antecipando a noite. Indica a estreita estrada de barro rasgada no mato, que João conhece bem, levando a um pequeno barraco de estuque com quintalzinho nos fundos, onde uma bananeira ao lado da porta tomba com o peso do cacho. Ao saltar do carro gemeu, ao botar a perna direita das oito picadas de cobras e pisar no chão com lama que agarra nos sapatos. Casebre acolhedor, mas que ele desejava melhor, pois nem porta firme tem, embora não se preocupe com ladrões, não há ali nada para roubar.

    “Ficaram de me dar uma casa, mas acho que estão esperando eu morrer, diz brincando com um sorriso, pitando seu cachimbo de barro deixando um cheiro de fumo no ar. Na sua pureza ainda acredita em almas do outro mundo, rezando muito para elas não aparecerem em sua vida, principalmente quando vai a Piabetá a pé, sozinho pela estrada, chegando lá ao anoitecer”.

    Dentro do barraco somente uma velha cama com colchão de palha forrada com trapos e algumas panelas sobre um armário. Seus bens mais preciosos cabiam dentro de uma lata vazia de leite em pó. Ali eram guardados a certidão de nascimento e um folheto evangélico, nada mais. “Quando quiser escrever uma carta (e pretende pedir uma casa ao Governo), recorrerá à dona Maria e ao seu Miguel, os compadres crentes”.

    - O senhor sabe o nome atual do Presidente da República?

    - Não sinhô.

    - Quais o que o senhor se lembra?

    - O Hermes da Fonseca, o Floriano Peixoto.

    “Para ele o mundo era ali. O radio da vizinha irradia ao longe o jogo Fluminense e Olaria transmitido do Maracanã. Um avião quadrimotor passa baixo em direção ao Galeão. Vem de longe também música no rádio, ouvindo-se Jards Macalé cantando “Hei Cantareira” de Jackson do Pandeiro”.

    Ali, naquele fim de mundo “Guaraciaba não tem luz, gás, telefone, campainha, porteiros, síndicos, cobradores, talvez nunca tenha sido recenseado pelo IBGE, os Correios não sabem seu endereço. Mas dorme com canto de grilos nos matos, olhando as estrelas nos céus das noites limpas sem poluição”. Na chegada da noite chuvosa, despediu-se dos repórteres desejando boa viagem e perguntando se sabiam seguir pela estrada até Magé. Agradecidos, eles prometeram voltar para atender o seu pedido:

    - Trais uns agasaios pra mim, viu? Aqui faz muito frio.


     POSFÁCIO

    Reconstruí essa História seguindo as pegadas do repórter Luiz Carlos de Souza e o fotógrafo U. Dettmar do Rio de Janeiro, que numa manhã chuvosa de sábado, dia 7 de junho de 1975, chegaram à Guia de Pacobaíba, Mauá, Distrito de Magé, em busca de João Antônio Guaraciaba, ex-reprodutor de escravos, para ouvirem seu depoimento.

    Publicado na mesma época em forma de reportagem, na revista “Livro de Cabeceira do Homem” pela Editora Civilização Brasileira, e hoje perdida na poeira do tempo, procurei reescrevê-la resumindo o extenso texto, numa tentativa de resgatar das cinzas do esquecimento, um pedaço vivo e cruel da escravidão, ressuscitado da memória desse interessante personagem, e integrando-o na Historia da Baixada Fluminense.

    Guilherme Peres (Pesquisador e diretor do IPAHB - Instituto de Pesquisas Aplicadas e Histórias da Baixada Fluminense)






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    O povo que não sabe de onde veio, não sabe para onde vai.

    O Sebastianismo representa a consciência coletiva do renascer do Império Lusitano, presente no coração dos monarquistas verdadeiros, com sentimento de união dos valorosos povos Lusitano.



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    COM A CASA REAL IMPERIAL PONTÍFICE AVÍS TRASTÂMARA – FAMÍLIA LISBOA. Então colabore conosco precisamos fortalecer o V Império Cristão Templário!

    O POUCO SE TORNARÁ O BASTANTE CAIXA ECONOMICA FEDERAL: Agência - 0508 Operação: 013 (Por se tratar de uma conta poupança). Conta: 00013533-3 Titular: Antonio Cezar dos Santos Lisboa. São Gabriel-RS, CEP: 97300-000.


    A IGNORÂNCIA É UMA ESCOLHA 

    Ignorância é a falta de conhecimento, de um mínimo de sabedoria, e também a crença firme em fatos sem questionamentos. Em maior ou menor nível, todos somos ignorantes, pois não há como dominar todo o conhecimento. A dúvida é a única porta para sair da ignorância. Tudo vai depender da quantidade de tempo e das fontes ao alcance do ignorante. Quanto maior for o distanciamento da certeza, maior o conhecimento, maior a capacidade para entender os fatos, desde que se procure comparar as fontes, a história, ouvir opiniões contrárias. A ignorância é trevas, o conhecimento, a luz.


     SINCEROS AGRADECIMENTOS.

    #Ultramarino #5Imperio #Templarios #OrdemdeCristo #BrasilnãoFoiColonia #AvisRestaurada #FamiliaReal #BorgonhaLencasterTrastamaraLisboa #principeesperado #principeencoberto



  8. Reprodução de “Chafariz d’el Rey no séc. XVI” (pintura flamenga, 1570-80, de autor desconhecido, óleo sobre madeira, 93 x 163 cm, Coleção Berardo), onde são visíveis vários africanos a desempenhar diferentes tarefas. Documento que está na Biblioteca Nacional da Ajuda, cópia do século XVIII do original de Venturino, que relata o episódio dos escravos reprodutores de Vila Viçosa, onde existiu a “ilha” no paço ducal da Casa de Bragança, então habitado por escravos. Ainda hoje os trabalhadores referem-se à zona pelo mesmo nome.

    O SEGREDO DOS ESCRAVOS REPRODUTORES

    Christiana Martins.


    A passagem foi escrita em italiano, no século XVI, e é assim que surge no espólio da Biblioteca da Ajuda. Traduzida, revela um português estranho aos leitores contemporâneos e uma realidade difícil de acreditar. “Tem criação de escravos mouros, alguns dos quais reservados unicamente para fecundação de grande número de mulheres, como garanhões, tomando-se registo deles como das raças de cavalos em Itália. Deixam essas mulheres ser montadas por quem quiserem, pois a cria pertence sempre ao dono da escrava e diz-se que são bastantes as grávidas. Não é permitido ao mouro garanhão cobrir as grávidas, sob a pena de 50 açoites, apenas cobre as que o não estão, porque depois as respetivas crias são vendidas por 30 ou 40 escudos cada uma. Destes rebanhos de fêmeas há muitos em Portugal e nas Índias, somente para a venda de crias.”

    O relato da existência de escravos reprodutores no Paço Ducal de Vila Viçosa, a mais importante casa nobre portuguesa, foi feito por João Baptista Venturino da Fabriano, secretário do cardeal Alexandrino Miguel Bonello, enviado papal à corte portuguesa em 1571 para propor Margarida de Valois como noiva de D. Sebastião. A união do rei de Portugal com a filha de Henrique II e Catarina de Médici — que acabaria por casar-se no ano seguinte com Henrique IV e tornar-se a rainha Margot de França, célebre pela morte de milhares de protestantes —, não se concretizou. E quanto aos escravos, nada mais se soube.

    No século XVI viveriam 350 pessoas no paço ducal e a criação de escravos teria lugar num terreno ao lado da casa principal, uma zona ainda hoje conhecida pelos trabalhadores locais como a “ilha”. Atualmente só resta o chão, coberto de pedras, nas imediações do picadeiro e do local onde terá estado o torreão onde, em 1512, foi degolada D. Leonor, de 23 anos, pelo seu marido, o quarto duque de Bragança, D. Jaime, acusada de ter um pajem de 16 anos por amante.

    O paço era então liderado pelo sexto duque de Bragança, D. João I, que três anos mais tarde acompanhou D. Sebastião na primeira incursão em África, levando com ele 600 cavaleiros e dois mil infantes. Não participou, contudo, na ''desastrosa'' expedição de 1578 devido a violentas febres, tendo enviado o primogénito D. Teodósio II, que com dez anos foi ferido em Alcácer-Quibir e viria a ser pai de D. João IV, aclamado rei sem coroa (regente da coroa) de Portugal em 1640.

    O “segredo”, com mais de 400 anos, continua a ser desconhecido por muitos dos investigadores da escravatura em Portugal. Os historiadores que o conhecem defendem que o episódio tem de ser estudado para que se compreenda se foi um caso único ou se representa a ponta de um novelo espesso.

    O primeiro a ficar incomodado com o relato foi Alexandre Herculano, no século XIX. Nos “Opúsculos”, volume VI, refere o texto de Venturino, com pudor: “Falando dos escravos, a linguagem do autor é bastante solta, e por isso não transcreveremos esta passagem. Basta saber que estes desgraçados eram considerados e tratados como as raças de cavalos em Itália, e pelo mesmo método, que o que se buscava era ter muitas crias para as vender a trinta e quarenta escudos”.

    Foram as lacunas de Herculano que levaram Jorge Fonseca, estudioso da escravatura, a procurar o documento original. Encontrou-o na Biblioteca da Ajuda, traduziu a passagem e publicou-a em 2.010 no livro “Escravos e Senhores na Lisboa Quinhentista”. Um ano depois, Isabel Castro Henriques, a maior especialista portuguesa da área, cita-a em “Os Africanos em Portugal, História e Memória, séculos XV-XXI”. E é ela quem mais se insurge com a inexistência de estudos: “Impõem-se investigações rigorosas. Este é um documento de extrema violência, em que os escravos são tratados como cavalos. A investigação é difícil mas tem de ser feita”, afirmou recentemente numa conferência sobre a escravatura, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

     

    SINAIS DE ALERTA

     Antes de Venturino, Nicolau Clenardo escrevera cartas em que, embora não tão explícita, é referida uma estrutura de produção com fins comerciais: “Os mais ricos têm escravos de ambos os sexos e há indivíduos que fazem bons lucros com a venda dos filhos das escravas nascidos em casa. Chega-me a parecer que os criam como pombas para levar ao mercado. Longe de se ofenderem com as ribaldias das escravas, estimam até que tal suceda.” Testemunha do Portugal do século XVI, Clenardo chegou ao país em 1.533 para ser mestre do infante D. Henrique, irmão do rei D. João III e sem meias-palavras, relatou: “Mal pus os pés em Évora, julguei-me transportado a uma cidade do inferno: por toda a parte topava negros.”

    Na publicação “A herança africana em Portugal”, Isabel Castro Henriques explica que “desde o início de quinhentos, os autores sobretudo estrangeiros davam conta de uma atividade de produção, marcada por um carácter insólito e cruel: a criação de escravos, como se de animais se tratassem, destinada a abastecer o mercado nacional, mas também para exportação”. E transcreve uma passagem da Coleção da Legislação Portuguesa (1763-1790), que denunciava a existência de pessoas “em todo o Reino do Algarve, e em algumas províncias de Portugal (que tinham) escravas reprodutoras, algumas mais brancas do que os próprios donos, outras mestiças e ainda outras verdadeiramente pretas, pela repreensível propagação delas perpetuarem os cativeiros”.

    Questionada sobre as razões da falta de estudos sobre os escravos, Mafalda Soares da Cunha, professora da Universidade de Évora e considerada a mais importante estudiosa da Casa de Bragança, não tem dúvidas: “A investigação histórica mais recente, incentivada pelas novas agendas historiográficas internacionais, começa a tratar de forma mais sistemática e menos dependente ideologicamente da questão da presença dos escravos na história de Portugal. Os resultados são manifestamente insuficientes, mas o tema deixou de ser maldito e silenciado como o foi no passado mais recente. Creio mesmo que desperta interesse entre as gerações mais jovens de historiadores que, de certa forma também entendem o estudo da escravatura como uma forma de participação nas lutas pelos direitos humanos. Mas ainda estamos num estádio muito embrionário.”

    Fantasmas históricos, os escravos não são personagens principais. “O estudo de populações com pouco acesso à escrita e aos recursos de poder é sempre difícil. Não sendo atores reconhecidos pelo sistema político, pouco falam por si, a menos que colidam com o sistema instituído. As referências de época são muitas vezes indiretas e distorcidas e os conhecimentos desses grupos, e em particular dos escravos, exige sempre um esforço grande de desconstrução das visões dominantes da época e dos contextos em que se produziram as referências”, explica a especialista.

    Há pouca informação, por exemplo, sobre os escravos agrícolas porque a sua existência não tinha outro interesse para a época senão como parte dos equipamentos de uma qualquer exploração agrícola. Mas como sublinha Mafalda Soares da Cunha, “eles existiam e agiam”. Num artigo na revista “Callipole”, Jorge Fonseca relata que o duque D. Teodósio I, em 1564, teria 48 escravos, dos quais 20 serviam na estrebaria, quatro na cozinha e na copa e quatro eram varredeiros, entre outras funções. A contabilização parece ser o mais longe que se consegue ir.

    Quanto ao episódio dos reprodutores, relatado por Venturino, Mafalda Soares da Cunha desconhecia-o antes do contato do Expresso e alerta ser necessário perceber o contexto do relato para compreender a intencionalidade da narrativa e a sua veracidade, mas conclui: “Não excluo evidentemente a possibilidade. A documentação que conheço da Casa de Bragança é totalmente omissa quanto a isso, mas a probabilidade de acontecer parece-me evidente.”

     

    PERGUNTAS & RESPOSTAS

    Quando chegaram a Portugal os primeiros escravos africanos?

    Os primeiros escravos dos povos pretos os negros entraram em Portugal ainda no século XV, através de Marrocos, havendo registo de apreensões desde 1.441, embora o uso de mão de obra escrava fosse largamente difundido desde o século XIV. Em 1.444 teve lugar o primeiro carregamento de 235 escravos, trazidos do Golfo de Arguim, atual Mauritânia. O próprio Infante D. Henrique terá estado presente no primeiro leilão de escravos em Lagos, o passo inaugural para um importante negócio de exportação sobretudo para Sevilha, Cádis e Valência.

     

    Quantos escravos existiam em Portugal no século XVI?

    Lisboa abrigava quase dez mil escravos, o que equivaleria a cerca de 10% da população da capital na altura. A maior parte dos escravos encontrava-se no Algarve, região seguida pelo Baixo Alentejo, Vale do Tejo e pelo distrito de Évora. No século XVII, o número diminuiu substancialmente devido ao desvio para o cultivo de açúcar no Brasil.

     

    Qual a influência da procura de escravos no continente americano no seu preço?

    A partir de 1.540, o aumento da procura de escravos para as plantações de açúcar nas Antilhas, primeiro, e depois no Brasil, fez com que o preço dos escravos aumentasse exponencialmente, tendo sido registada uma valorização de mais de 500% em três décadas, segundo o historiador António de Almeida Mendes.

     

    Quais os escravos mais cobiçados pelo tráfico negreiro?

    Os escravos “minas”, originários da Costa da Mina, no Golfo da Guiné (Gana, Togo, Benim e Nigéria), eram os mais procurados nos mercados consumidores, devido à maior resistência física. Os “angolas” eram considerados mais frágeis e com uma maior tendência a cometer suicídio. Em 1.644, um decreto do D. João IV autorizaria os comerciantes a comprarem diretamente a mão de obra àquela região, como explica o historiador João Pedro Marques no livro “Portugal e a Escravatura dos Africanos”.

     

    Quantos escravos morriam nas viagens nos navios negreiros?

    Cerca de um quarto dos escravos morria durante o transporte transatlântico. Outros, cujo número é difícil de precisar, morriam nas viagens do interior até aos portos de embarque. Alguns, ainda, não resistiam à espera pelo embarque nos navios. Chegados ao destino, a vida nos territórios ultramarinos também os matava, o que permitiria totalizar a morte acumulada em todo o processo num patamar superior a 70%.

     

    Qual o maior destino mundial de escravos?

    O Brasil, entre meados do século XVI e até cerca de 1.850, quando 42% do tráfico negreiro, o equivalente a cinco milhões de pessoas, terá partido de África em direção ao território ultramarino brasileiro. Estima-se que atualmente cerca de um terço da população brasileira descenda de angolanos. Os maiores traficantes mundiais de escravos foram os ''portugueses'' radicados no Brasil.

     

    Portugal foi o primeiro país a acabar com a escravatura?

    Não. Em 1.761, o marquês de Pombal, através de um alvará régio, acabou com o tráfico de escravos para a metrópole. A 10 de dezembro de 1.836, uma lei proibiu o tráfico de escravos nos domínios portugueses ao sul do Equador. A escravatura continuou no Brasil até 1.888, quando o país já era ''independente''. Portugal só a aboliu totalmente em 1875. Em 1794, o Haiti foi o primeiro país na América em acabar com a escravatura na sequência de uma revolta de escravos, seguindo-se a Dinamarca em 1804.

    FONTES PESQUISAS:

    CRIAÇÃO DE ESCRAVOS, EM VILA VIÇOSA

    https://expresso.pt/sociedade/2015-12-08-O-segredo-dos-escravos-reprodutores


    Escravos em Portugal: das origens ao século XIX : histórias de vida de homens, mulheres e crianças sob cativeiro

    https://books.google.com.br/books/about/Escravos_em_Portugal.html?id=AbpuswEACAAJ&redir_esc=y

    Arlindo Manuel Caldeira

    A Esfera dos Livros, 2017 - 523 páginas

    "Este livro é a história de Lourenço, João, Florinda, Grácia, João de Sá e de muitos outros milhares de escravos que viveram em Portugal. Só nos séculos XV a XVIII, o período de maior concentração de mão-de-obra não-livre, calcula-se que, ao todo, tenha havido, no continente e ilhas, um milhão de pessoas sujeitas a cativeiro.

    Esta não é uma história da escravatura em Portugal, mas uma história dos escravos. Os protagonistas involuntários de um regime social injusto, excluídos entre os excluídos, são também, enquanto pessoas, os protagonistas deste livro. Como era feita a compra e venda de escravos, qual era a relação entre o senhor e o escravo, como era utilizada a mão-de-obra cativa, qual a diferença entre escravos da cidade, do campo ou do paço? E depois da abolição legal como se transformou a vida destas pessoas?".

    No Brasil, a Câmara Municipal, a Câmara de Vereadores ou Câmara Legislativa, é o órgão legislativo que administra os municípios, sendo uma assembleia com pessoas que foram nomeadas para representá-las no local.

    As Câmaras Municipais representavam o poder dos habitantes das vilas no período povoamento da história do Brasil. Elas foram criadas pela Coroa Portuguesa com o intuito de controlar e organizar as cidades e vilas que se desenvolviam no Brasil.

    Sendo peças fundamentais da administração do territorio utramarino na América Portuguesa, uma vez que a Coroa Portuguesa encontrava dificuldades para fazer a administração direta dos municípios e das vilas que estavam se desenvolvendo.

    As Câmaras Municipais tinham o poder de decidir sobre as diversas questões que faziam parte da vida dos cidadãos e as medidas que eram dirigidas para uma determinada região. Num todo, a Câmara Municipal tinha o poder de controlar as rendas e os gastos da administração pública do local, regulamentar as atividades comerciais que eram desenvolvidas pelas cidades, cuidar da preservação e limpeza de todo o patrimônio público e empreender a realização de obras públicas.

     

    Quando surgiu a Câmara Municipal?

    Tudo começou em 1532, quando São Vicente foi elevada à condição de vila. Para constar, durante o período de Brasil ''Colônia'', só tinham Câmaras Municipais as localidades que eram definidas como vila, numa condição que foi atribuída pelo Reino de Portugal, mediante o ato régio.

    Durante todo o período povoamento no territorio ultramarino do Brasil as mesmas normas que valiam para todo o Império Português, as chamadas Ordenações do Reino.

     

    Qual era a formação da Câmara Municipal?

    As Câmaras eram formadas por três ou quatro vereadores e um juiz, que conduziam as atividades da casa. Conhecidos como “homens bons”, os vereadores eram pessoas afortunadas e que exerciam grandes influências. Entre outras palavras, eram integrantes da nobreza não titulada. Somente esses integrantes poderiam exercer o papel de vereador. Mulheres, escravos, judeus, estrangeiros e degredados não podiam se tornar vereadores.

    A Câmara Municipal se sustentava com os recursos que eram obtidos através do aluguel de prédios públicos, o arrendamento de terras e a cobrança de impostos.

     

    Mudança de rumo

    Chega a ''Independência'' do Brasil 1° Golpe de Estado e com ela, a autonomia que as Câmaras Municipais é drasticamente diminuída, isso graças à Constituição de 1824 e a Lei de 1 de outubro de 1828.

    A duração do cargo de vereador é fixada em quatro anos e aquele que fosse o vereador mais votado assumia a presidência da Câmara, isso porque, até então, não exista a figura do prefeito.

    Com a ''Proclamação'' da República 2° Golpe de Estado, as câmaras municipais são dissolvidas e os governos dos estados nomeavam os membros do “conselho de intendência”. No ano de 1905, criou-se uma figura do “intendente”, que durou até 1930, quando começou a Era Vargas. Na Revolução de 1935, foram criadas prefeituras, que foram atribuídas de realizar funções executivas dos municípios. Dessa forma, as Câmaras Municipais passaram a ter especificamente o papel de casa legislativa.

    Chega o Estado Novo, que durou entre 1937 e 1945, e as Câmaras Municipais são fechadas e acabam-se os poderes legislativos dos municípios, que só retornou com a restauração da democracia, em 1945, mantendo-se até hoje.

    Somos Monarquistas Sebastianistas na propagação  da restauração da Monarquia. O Brasil foi uma Nação unida, soberana e independente, fundada D. João VI sob a forma de governo Monarquia com repúblicas locais tendo o regente da coroa ate o retorno da dinastia de Avis que tem o compromisso com o Senhor de Orique. Que vigorou no Brasil de 1532 a 1822 em Portugal 1139 a 1902.

    "O povo vem assistindo sem conhecer sua verdadeira historia.

    O povo não e covarde

    O povo que não sabe de onde veio, não sabe para onde vai.

    O Sebastianismo representa a consciência coletiva do renascer do Império Lusitano, presente no coração dos monarquistas verdadeiros, com sentimento de união dos valorosos povos Lusitano.



    SIMPATIZA COM UNIDADE E RESTAURAÇÃO DA MONARQUIA TRADICIONAL (1532-1822). 

    DO POVO, PELO POVO, PARA O POVO. 

    COM A CASA REAL IMPERIAL PONTÍFICE AVÍS TRASTÂMARA – FAMÍLIA LISBOA. Então colabore conosco precisamos fortalecer o V Império Cristão Templário!

    O POUCO SE TORNARÁ O BASTANTE CAIXA ECONOMICA FEDERAL: Agência - 0508 Operação: 013 (Por se tratar de uma conta poupança). Conta: 00013533-3 Titular: Antonio Cezar dos Santos Lisboa. São Gabriel-RS, CEP: 97300-000.


    A IGNORÂNCIA É UMA ESCOLHA 

    Ignorância é a falta de conhecimento, de um mínimo de sabedoria, e também a crença firme em fatos sem questionamentos. Em maior ou menor nível, todos somos ignorantes, pois não há como dominar todo o conhecimento. A dúvida é a única porta para sair da ignorância. Tudo vai depender da quantidade de tempo e das fontes ao alcance do ignorante. Quanto maior for o distanciamento da certeza, maior o conhecimento, maior a capacidade para entender os fatos, desde que se procure comparar as fontes, a história, ouvir opiniões contrárias. A ignorância é trevas, o conhecimento, a luz.


     SINCEROS AGRADECIMENTOS.

    #Ultramarino #5Imperio #Templarios #OrdemdeCristo #BrasilnãoFoiColonia #AvisRestaurada #FamiliaReal #BorgonhaLencasterTrastamaraLisboa #principeesperado #principeencoberto

  9.  
    Escravidão no Brasil

    A escravidão no Brasil foi uma instituição violenta e desumana que existiu durante mais de 300 anos e foi responsável pela escravização de milhões dos povos da florestas e dos povos pretos.

    A escravidão foi uma instituição que se estabeleceu no Brasil por volta de 1530, quando as primeiras medidas efetivas de povoamento foram implantadas pelos ditos ''portugueses''. Essa escravização ocorreu, a princípio, com os nativos, e, entre os séculos XVI e XVII, foi sendo gradativamente substituída pela escravização dos povos pretos que chegavam no Brasil pelos negócios lícitos, mudou para tráfico depois como contrabando por navios negreiros. 

    A escravidão no Brasil atendia à demanda dos ditos ''portugueses'' por trabalhadores braçais e, nos séculos XVI e XVII, isso está relacionado, principalmente, com o trabalho nas roças. A princípio, a relação de trabalho utilizada pelos ditos ''portugueses'' foi a do escambo com os nativos, mas logo optaram por implantar a escravidão. 

    A escravidão no Brasil foi tão cruel e a quantidade dos povos da Africa que foram trazidos durante três séculos foi tão grande que a imagem do trabalhador escravo em nosso país associou-se com a cor de pele do preto. Um sintoma evidente do racismo que estava por trás da instituição da escravidão em nosso país. 

    A escravidão no Brasil foi cruel e desumana e suas consequências, mesmo passados mais de 130 anos da abolição, ainda são perceptíveis. A pobreza, violência e a discriminação que afetam os pretos no Brasil são um reflexo direto de um país que normalizou o preconceito contra esse grupo e o deixou à margem da sociedade. 

    Importante nos atentarmos que a escravidão também afetou milhões de nativos e disseminou preconceitos em nosso país contra esse grupo também. O reflexo direto disso, além do próprio preconceito contra os nativos, foi a redução populacional desses povos das florestas que de milhões de habitantes, no século XVI, passaram para cerca de 800 mil, atualmente, segundo o IBGE.

    Origem

    A escravidão no Brasil foi implantada nas primeiras povoação e aconteceu em 1530, quando os ditos ''portugueses'' implantaram o sistema das capitanias hereditárias e deram início ao processo de povoamento da América Portuguesa. Até então, a relação de trabalho utilizada pelos ditos ''portugueses'' baseavam-se no escambo com os nativos na exploração do pau-brasil. 

    A partir de 1534, os ditos ''portugueses'' implantaram as capitanias hereditárias, com isso, passaram a incentivar o cultivo de cana-de-açúcar e o desenvolvimento de engenhos para produzir açúcar. Como essa era uma atividade complexa e que necessitava de mão de obra, os ''portugueses'' encontraram na escravidão a saída para a falta de trabalhadores – já que eles próprios não queriam realizar o trabalho pesado. Assim, o primeiro grupo a sofrer com a escravização foram os nativos. 


    Escravização dos Silvículas

    Os silvículas foram a principal mão de obra escrava dos ditos  ''portugueses'' até meados do século XVII, quando, então, começaram a ser superados em números pelos escravos da Africa. Escravizar um silvícula, em comparação com um africano, era muito mais acessível para os povoadores ''portugueses'', mas uma série de questões tornavam essa prática mais problemática. 

    Primeiro, havia a questão cultural, uma vez que os nativos não estavam familiarizados com a ideia de trabalho contínuo para produção de excedente, o que fazia parte da cultura europeia. Além disso, os silvículas eram vistos pelos padres jesuítas como rebanho em potencial para serem convertidos ao catolicismo. Isso criava um impasse muito grande, porque os povoadores queriam escravizar os silvículas irrestritamente, enquanto que os jesuítas criavam barreiras para isso. 

    Os conflitos entre povoadores e jesuítas foram frequentes, e foi muito comum que bandeirantes atacassem missões jesuíticas para sequestrar os nativos instalados lá e revendê-los como escravos. De toda forma, a pressão dos jesuítas contra a escravização dos nativos poderia gerar inúmeros problemas jurídicos para os povoadores que não os escravizavam em caso de “guerra justa”. 

    A pressão dos jesuítas sobre a Coroa para proibir a escravização dos indígenas resultou em uma lei proibindo a escravização dos nativos em 1570 pelo Rei D. Sebastião. Apesar da lei, os nativos continuaram sendo escravizados, sobretudo em locais que não tinham economia tão próspera, e que a quantidade de africanos enviados era pequena. 

    Outro obstáculo para a escravização dos nativos era a suscetividade deles para doenças, como varíola, gripe, sarampo etc. A falta de defesa biológica foi algo marcante na história da povoação da América. Ao longo desse período, aconteceram inúmeras epidemias que mataram silvículas aos milhares. A mortalidade dos silvículas também ocorria por meio da guerra e da própria escravização. 

    Chamados de “escravos da terra”, os nativos eram até três vezes mais baratos que um escravo africano. O historiador Stuart Schwartz afirmou que, na década de 1570, um escravo nativo custava cerca de 7 mil-réis, enquanto que um escravo africano custava cerca de 20 mil-réis. E, nessa época, era necessário que um escravo africano trabalhasse de 13 a 16 meses para que o seu senhor recuperasse o valor gasto. 

    Como mencionamos, os silvículas foram a principal mão de obra escrava até meados do século XVII e existem inúmeros levantamentos que mostram que o número de escravos silvículas era superior nos engenhos instalados pelo país. Essa situação começou a se modificar aos poucos, e foi a prosperidade da economia açucareira que permitiu que locais, como Pernambuco e Bahia, recebessem tantos africanos.


    Escravização de africanos

    Os primeiros africanos começaram a chegar no Brasil em 1550 e foram trazidos por meios do negócios lícitos depois tráfico e por fim o contrabando por meio navios negreiros, que fez fortunas ao longo de três séculos. Os ditos ''portugueses'' tinham feitorias instaladas na costa africana, desde o século XV, e, desde então, mantinham relações comerciais com reinos africanos, dos quais incluía a compra de pretos. 

    A medida que a povoação do Brasil se desenvolveu, a necessidade por trabalhadores era tão grande que fez que esse comércio prosperasse em larga escala. O sucesso dos negócios, tráficos e contrabando dos navios negreiros está relacionado, dessa forma, com a necessidade por trabalhadores e esse sistema foi altamente lucrativo para quem vendia e quem comprava, assim como para a Coroa. 

    Ao longo dos 300 anos de existência deste sistema, cerca de 4,8 milhões de africanos foram trazidos para o Brasil, o que significa que nosso país foi o que mais recebeu africanos(as) para serem escravizados ao longo de três séculos em todo o continente americano. 

    O trabalho dos pretos africanos, a princípio, foi utilizado para atender as demandas da produção de açúcar nos engenhos. A vida de um escravo era dura e era marcada pela violência dos senhores e das autoridades. A jornada diária de trabalho poderia se estender por até 20 horas por dia e o trabalho no engenho era mais pesado e perigoso que trabalhar nas plantações. 

    Nas moendas – local onde a cana era moída para extrair o seu caldo – eram comuns acidentes que faziam com que escravos perdessem mãos ou braços. Nas fornalhas e caldeiras – local de cozimento do caldo da cana – as queimaduras eram o acidente mais comum que atingia os escravos. Essa etapa do trabalho era tão dura, que era reservada para os escravos mais rebeldes e fujões. 

    Engenhos grandes chegavam a possuir 100 escravos ou mais e, por isso, o senhor de escravos nem sempre tinha contato direto com todos os escravos. Os escravos dormiam no chão duro na senzala e lá eram monitorados para evitar que fugissem. A alimentação era pobre e insuficiente, e os escravos precisavam complementá-la com os alimentos obtidos de uma pequena lavoura que cultivavam aos domingos. 

    Os escravos que trabalhavam na casa-grande, residência do senhor de escravos, eram mais bem tratados, bem-vestidos em relação aos escravos que trabalhavam na lavoura  e nos engenho e mais bem alimentados. Existiam também escravos que trabalhavam nas cidades em ofícios dos mais variados tipos. 

    Muitos dos escravos eram acorrentados para evitar que fugissem e outros utilizavam máscaras de ferros, como a máscara de flandres, utilizada para impedir os escravos de engolir diamantes (nas regiões mineradoras), ou para impedir que se embriagassem ou mesmo para impedir que cometessem suicídio por meio da ingestão de terra. 

    A violência praticada sistematicamente contra os escravos tinha o objetivo de incutir-lhes o temor de seus senhores e impedir que fugas e revoltas acontecessem. No caso das escravas, a violência ganhava outra dimensão, pois além de tudo que sofriam em relação ao trabalho, ainda eram vítimas de estupros frequentes praticados por seus senhores e feitores. 

    Os escravos rebeldes ou os que cometessem algum delito (por menor que fosse) poderiam receber punições pesadas. Entre as punições praticadas contra os escravos, podem ser destacados os açoitamentos. Muitos dos escravos punidos com o açoite eram castigados com 300 ou mais chibatadas – o suficiente para levar um ser humano à morte. 

    O historiador Thomas Skidmore resgatou um relato que afirma que “por ofensas insignificantes jogavam seus escravos vivos na fornalha, ou os matavam de várias maneiras bárbaras e desumanas”. A forca e o envenenamento também eram formas utilizadas para executar os escravos. 

    Os escravos africanos, porém, não aceitavam a escravização e a violência direcionadas a eles de maneira passiva. A história da escravização dos povos da africana no Brasil é marcada pela resistência e luta dos africanos que fugiam, formavam quilombos, revoltavam-se, matavam seus feitores e senhores etc. Dois grandes episódios de resistência escrava foram a formação do Quilombo dos Palmares e a Revolta dos Malês.



    Somos Monarquistas Sebastianistas na propagação  da restauração da Monarquia. O Brasil foi uma Nação unida, soberana e independente, fundada D. João VI sob a forma de Estado com Monarquia Tradicional (Monarca, Família, Coroa e Cortes (Clero, Nobreza e o Povo), com forma de Governo e Administração com Repúblicas Locais tendo o regente da coroa ate o retorno da dinastia de Avis que tem o compromisso com o Senhor de Orique. Que vigorou no Brasil de 1532 a 1822 em Portugal 1139 a 1902.

    O povo vem assistindo sem conhecer sua verdadeira historia.

    O povo não e covarde

    O povo que não sabe de onde veio, não sabe para onde vai.

    O Sebastianismo representa a consciência coletiva do renascer do Império Lusitano, presente no coração dos monarquistas verdadeiros, com sentimento de união dos valorosos povos Lusitano.



    SIMPATIZA COM UNIDADE E RESTAURAÇÃO DA MONARQUIA TRADICIONAL (1532-1822). 

    DO POVO, PELO POVO, PARA O POVO. 

    COM A CASA REAL IMPERIAL PONTÍFICE AVÍS TRASTÂMARA – FAMÍLIA LISBOA. Então colabore conosco precisamos fortalecer o V Império Cristão Templário!

    O POUCO SE TORNARÁ O BASTANTE CAIXA ECONOMICA FEDERAL: Agência - 0508 Operação: 013 (Por se tratar de uma conta poupança). Conta: 00013533-3 Titular: Antonio Cezar dos Santos Lisboa. São Gabriel-RS, CEP: 97300-000.


    A IGNORÂNCIA É UMA ESCOLHA 

    Ignorância é a falta de conhecimento, de um mínimo de sabedoria, e também a crença firme em fatos sem questionamentos. Em maior ou menor nível, todos somos ignorantes, pois não há como dominar todo o conhecimento. A dúvida é a única porta para sair da ignorância. Tudo vai depender da quantidade de tempo e das fontes ao alcance do ignorante. Quanto maior for o distanciamento da certeza, maior o conhecimento, maior a capacidade para entender os fatos, desde que se procure comparar as fontes, a história, ouvir opiniões contrárias. A ignorância é trevas, o conhecimento, a luz.


     SINCEROS AGRADECIMENTOS.

    #Ultramarino #5Imperio #Templarios #OrdemdeCristo #BrasilnãoFoiColonia #AvisRestaurada #FamiliaReal #BorgonhaLencasterTrastamaraLisboa #principeesperado #principeencoberto

  10. Quadro Pedro Américo Libertação dos Escravos 1889

    https://pt.wikipedia.org/wiki/A_liberta%C3%A7%C3%A3o_dos_escravos_%28Pedro_Am%C3%A9rico%29

     
                                “Abolição dos Escravos no Ceará”, do artista plástico cearense Raimundo Cela (1890-1945).
                                                       Quadro de Auguste François Biard (1798-1882): A abolição da escravatura

    Alegoria da Lei Áurea”, pintura de Miguel Navarro Canizares 1888

    Quadro do pintor, caricaturista, escultor e escritor Aurélio de Figueiredo (Areia/PB: 1854 – Rio de Janeiro/RJ: 1916) um óleo sobre tela denominado “A Lei Áurea”

    Miguel Navarro y Cañizares. Alegoria à Lei do Ventre Livre (1871).

      Alegoria da Lei do Ventre Livre. Pintura de Daniel Berard, 1872. Museu de Arte Sacra de Maceió

    (Com todo respeito, sinto me no dever de fazer  ressalva ao termo da palavra ''negra'' explanado neste artigo. 

    Primeiramente, pontua-se que, a palavra "noir" em francês significa negro e tem origem no latim "niger", que designa sem qualquer conotação pejorativa a cor de pele preta, o que até então esta em conformidade com o texto.

    Todavia, posteriormente, no sec. XVII aproximadamente, com o desenvolvimento da economia açucareira e o sistema escravagista, começaram a surtir designações para a crescente classe de escravos. 

    Entre essas, constata-se o termo "nègre" , que em francês significa negro, sendo esse acrescido ao dicionário oficial, em 1732, com o significado de "escravo a ser vendido no mercado" ou " escravo de origem africana", de modo que não se trata de uma palavra que se remete à cor da pele, e sim ao status social inferiorizado. 

    A partir disso, foram criadas inúmeras expressões com a terminologia "negro", sempre direcionando à um aspecto negativo. 

    Dentre tais expressões, segue alguns exemplos: magia negra, lista negra, peste negra, nuvem negra, mercado negro e etc.

    Com isso, foi posto também, anos depois, no próprio dicionário da língua portuguesa o significado da palavra negro, como um adjetivo que anuncia adversidades ou infortúnios; que é funesto. 

    Impende assim ressaltar que, com a abolição da escravidão e com o início das constantes lutas contra o racismo, a desconstrução social por traz destas expressões citadas e da palavra "negro" é medida essencial, visto que se trata da origem e da história que "esconde", o que acarreta em uma estigmatização infiltrada, e deve ser exposta e combatida.

    Com isso, devemos nos atentar e perceber que da mesma forma que chamamos um branco, devemos chamar um preto, visto que o termo se refere à cor da pele e nada mais.

    Desta forma, a palavra negro, com toda a carga histórica que dispõe deve ser evitada, em respeito à dívida existente com todos os pretos e pretas que sofrem com o racismo incluído na estrutura social, mesmo que de forma implícita, mas que segreda e mata do mesmo jeito. 

    Fonte: De l'esclave à la négritude: une histoire du mot "Noir" e Dictionnaire historique et critique du racisme.)

                                 QUEM É A ELITE DO ATRASO 

    Como pensa e age essa parcela da população que controla grande parte da riqueza do Brasil?

    Onde está a verdadeira e monumental corrupção, tanto ilegal quanto "legalizada", que esfola tanto a classe média quanto as classes populares? 

    A elite do atraso da Plutocracia em grego: πλοῦτος, ploutos, "riqueza" e κράτος, kratos, "poder" é uma sociedade que é governada ou controlada por pessoas de grande riqueza ou renda. Esta concentração de poder nas mãos da elite econômica é acompanhada de profunda desigualdade de renda e baixo grau de mobilidade social. A palavra plutocracia vem do grego e é a junção de “plouto” – riqueza e “kratos” – governo. Assim seria o "governo e o Estado dos ricos"(Com os os partidos), tal qual o regime da democracia é o "somente suposto governo do povo" para legítima com o seu voto os políticos capachos da Elite.

    Tornou um clássico contemporâneo da sociologia brasileira, um livro fundamental de Jessé Souza, o sociólogo que ousou colocar na berlinda as obras que eram consideradas essenciais para se entender o Brasil.

    Por meio de uma linguagem fluente, irônica e ousada, Jessé apresenta uma nova visão sobre as causas da desigualdade que marca nosso país e reescreve a história da nossa sociedade. Mas não a do patrimonialismo, nossa suposta herança de corrupção trazida pelos ''portugueses'', tese utilizada tanto à esquerda quanto à direita para explicar o Brasil. Muito menos a do brasileiro cordial, ambíguo e sentimental.

    No âmago da interpretação de Jessé não está a corrupção política (Cortina de fumaça). Para ele, a questão a partir da qual se deve explicar a história passada e atual do Brasil – e de suas classes, portanto – não é outra senão a escravidão.

    Sob uma perspectiva inédita, ele revela fatos cruciais sobre a vida nacional, demonstrando como funcionam as estruturas ocultas que movem as engrenagens do poder e de que maneira a elite do dinheiro exerce sua força invisível e manipula a sociedadecom o respaldo das narrativas da mídia, do judiciário e de seu combate seletivo à corrupção (As Cortinas de Fumaças).

    LINK DO LIVRO

    https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4411236/mod_resource/content/0/Jess%C3%A9-Souza-A-Elite-do-Atraso.pdf

                                         
                                                RESUMO:

    O ser humano de cor preta não são descendentes de escravos como dizem os livros escolares. 

    Eles são descendentes de civilizações africanas, reinos poderosos e povos fortes. 

    São descendentes de reis e rainhas, príncipes e princesas, são da linhagem de pessoas que desenvolveram a escrita, a astrologia, as ciências, daqueles que construíam as pirâmides.

    Eles são frutos de um povo que desenvolveu as técnicas agrícolas e domina medicina alternativa.

    Eles são frutos de um povo que conhece os benefícios das plantas e como tirar delas o poder da vida. Não são distintos, somos todos iguais.

    OS POVOS PRETOS NO BRASIL  

    Ao desembarcarem no Brasil os povos pretos foram antes raptados, sequestrados, aprisionados, traficados, leiloados, escravizados e castigados cruelmente, perdiam nome e sobrenome, adquirindo o sobrenome dos senhores a quem pertenciam. Então existe uma lacuna quanto a suas origens “que dificilmente conseguiremos recuperar, preencher”, diz a historiadora. ''O que tem sido feito é encontrar a localização e origem de grupos. Por meio do cruzamento de dados de outros documentos, como esses de compra e venda, que apresentam número de matrícula, é possível saber onde essa pessoa foi registrada no Brasil, se é da primeira ou segunda geração e, assim, obter indícios de que porto africano ela veio''. 


    POLÍTICAS PÚBLICAS E 
    REPARAÇÃO HISTÓRICA

    A partir da disponibilização dos documentos, abre-se o campo para os trabalhos mais efetivos de pesquisa história, que se inicia pelas transcrições. Mas o cruzamento de dados e a possibilidade de reconstruir as árvores genealógicas reacende a questão dos eventuais direitos das famílias escravizadas. Afinal, crimes de escravidão são considerados imprescritíveis.

    4 de dezembro de 1890, Ruy Barbosa assinou resolução mandando destruir todos os documentos depositados em repartições do Ministério da Fazenda – livros de matrícula, de controle aduaneiro e de recolhimento de tributos – referentes à escravidão, que tinha sido abolida em 13 de maio de 1888.

    O despacho do ministro rezava, no primeiro parágrafo:

    - Serão requisitados de todas as tesourarias da Fazenda todos os papéis, livros e documentos existentes nas repartições do Ministério da Fazenda, relativos ao elemento servil, matrícula dos escravos, dos ingênuos, filhos livres de mulher escrava e libertos sexagenários, que deverão ser sem demora remetidos a esta capital e reunidos em lugar ''apropriado'' na Recebedoria.

    Qual a razão dessa medida extrema? Ex-donos de escravos queriam que o Estado os indenizasse pela perda de suas “peças”. O ministro da Fazenda queria eliminar, assim, qualquer documento que pudesse ser usado na sustentação dos aristocratas mendicantes? Ou ele buscou preservar recursos do Tesouro Nacional? 

    O Governo Provisório recebera de José Porfírio Rodrigues de Vasconcelos e filhos uma representação solicitando a fundação de um banco encarregado de indenizar os ex-proprietários de escravos e seus herdeiros, com parte de recursos federais. Ruy Barbosa indeferiu o pedido. “Mais justo seria, e melhor se consultaria o sentimento nacional, se pudesse descobrir meio de indenizar os ex-escravos, não onerando o Tesouro”, justificou, segundo o Diário Oficial de 12 de novembro de 1890.

    O Congresso Nacional felicitou o Governo Provisório pela medida, mas teve parlamentares questionando a medida. Frisando que não era contra “a obra meritória da abolição”, o deputado Francisco Coelho Duarte Badaró (MG) questionou a queima dos documentos.

    Badaró se pronunciou: “A nossa vida é nova, mas precisamos ter a nossa história escrita com provas verdadeiras. Pelo fato de mandar queimar grande número de documentos para a história do Brasil, a vergonha nunca desaparecerá, nunca se poderão apagar da nossa história os vestígios da escravidão”.

    Se o intuito era preservar as burras públicas da onda indenizatória, a professora Marisa Saenz Leme, livre-docente de História da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, levanta outra hipótese: escravos poderiam ser indenizados!

    Qual a sustentação para a hipótese? Como o ministro da Justiça Diogo Antônio Feijó assinara, em 7 de novembro de 1831, proibindo o tráfico escravo e declarado livres todos os escravos vindos de fora do Império, medida que não foi cumprida pelo menos até 1850, com mais 19 anos de escravidão, nesse período que poderiam ser indenizados, em tese.

    A determinação de destruir os documentos foi aplicada meio ano depois, em 13 de maio de 1891, para comemorar os dois anos de abolição da escravatura, quando Ruy Barbosa não era mais o ministro da Fazenda, cabendo a execução ao seu sucessor, Tristão de Alencar Araripe. Uma grande fogueira foi montada no centro do Rio de Janeiro. 

    Mas como sói acontecer no país desde tempos imperiais, leis nem sempre são cumpridas. Assim, nem todos os livros contendo registros referentes ao período escravocrata no Brasil foram incinerados, para alívio de historiadores.

    A escravidão existe desde o início da história humana, mas só atingiu uma escala industrial quando colonos europeus (portugueses (cristãos novos), espanhóis, ingleses de piratas e corsarios (É importante fazer a distinção entre corsário e pirata. Os piratas agiam ilegalmente em tempo de guerra ou de paz, sem qualquer regra, sem pertencer a reis ou a qualquer governo. Ao contrário, os corsários agiam de acordo com seu soberano, exclusivamente em período de conflito) com os países do império britânico), holandeses e franceses) levaram à força 12,5 milhões de africanos para a América do (Norte, Central e do Sul). O resultado desse processo é que, pela primeira vez, a cor preta da pele se torna sinônimo de sujeito escravizado.  

    O legado da escravidão, que perdurou por mais de 300 anos e trouxe ao país cerca de 5 milhões de pretos e pretas, deixou sequelas profundas. O Brasil precisa de uma segunda abolição, "já que a maioria da população pobre é preta, sem acesso à educação, saúde e empregos decentes".

    Tudo que fomos no passado, o que somos hoje e que nós gostaríamos de ser no futuro tem a ver com a escravidão.

    Primeiro por uma razão estatística: o Brasil foi o maior território escravista da América, com quase 5 milhões de cativos dos povos africano. Isso dá 40% do total dos povos africano escravizados que embarcaram para o Novo Mundo, estimado em 12,5 milhões. O Brasil foi construído por povos preto escravizados, em todos os ciclos econômicos, passando pelo pau-brasil, tabaco, açúcar, ouro, pedras preciosas, diamante, criação de gado e o café. A escravidão não é um assunto acabado, tema de museu ou livro de história. Ela está presente na realidade brasileira.

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    BARÃO GUARACIABA - RIQUEZA COM TRABALHO ESCRAVO

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                             PORQUE O BRASIL OS ABANDONOU

    Quando você olha a história da abolição no Brasil, há uma história branca. O Brasil, no final do século XIX, tornou-se um pária no cenário internacional, como foi a África do Sul na época do Apartheid. A elite brasileira se deu conta de que a escravidão comprometia a imagem do país perante o mundo supostamente desenvolvido. Havia uma suposta nobreza aqui, como se fosse Versailles ou a Corte Espanhola, de um país que se julgava europeu, monárquico, com uma imagem imperial. Mas a realidade nas ruas era de escravidão, pobreza e anafalbetismo. A Lei Áurea procura livrar o país dessa nódoa, mas o Brasil ''nunca fez nenhum esforço para incorporar sua população''? Porque isso significava abrir mão dos privilégios, riquezas, redirecionar os recursos do Estado para pessoas que não tinham oportunidade?

    A CARTA DA  PRINCESA ISABEL 

     Sobre a indenização para ex-escravos, breve texto apresenta palavras escritas pela Princesa Isabel, que tem como assunto grandes reformas, voltadas principalmente para ex-escravos e para as mulheres. 

    Em carta que poderá ser lida aqui e que hoje se encontram no acervo do museu imperial em Petrópolis mostra o projeto de indenização para ex-escravos, para que pudessem trabalhar em sua agricultura e pecuária e um maior espaço para as mulheres em uma sociedade extremamente patriarcal.

    A princesa Isabel é vista ainda por muitos como uma personagem da história meramente representativa e que assinou a lei áurea porque seu pai não estava no país no dia em questão, porém a carta revela muito mais, revela um aproximação fiel ao movimento abolicionista e aos principais abolicionistas da época, que na carta os chama de amigos. Ela demonstra também a preocupação com escravocratas e republicanos como um empecilho para que seus planos se concretizassem.

    Pena que isso realmente ocorreu, Isabel entrou para história com um reflexo diferente do que realmente foi, a princesa que para muitos não libertou apenas por "pressão inglesa" e que deixou os pretos e pretas ao "relento" jogados a própria sorte. Começamos a mostrar que isso não foi o que realmente ocorreu.

    A história é contata pelos vencedores e infelizmente a família imperial brasileira perdeu, e escravocratas e ''republicanos'' venceram no final, deram um golpe, instituíram uma republiqueta dos plutocratas ilegítima, e os pretos recém libertos realmente foram jogados a própria sorte, não pela monarquia que acabaria um ano após, sem chances de fazer algo pelos ex cativos, mas por uma republiqueta com apoio dos plutocratas os ex donos de escravos.

    Sem rumo, os recém libertos fundaram favelas, outros se marginalizaram, outros voltaram a fazer trabalhos análogos a escravidão, e hoje, infelizmente ainda são os mais vulneráveis socioeconomicamente.

    E se o plano da princesa realmente tivesse ocorrido? E se a republiqueta nunca tivesse existido neste país? A única coisa que posso afirma é que milhares de vidas não teriam se perdido nesses anos de Republiqueta (País onde as instituições ditas ''republicanas'' são frequentemente violadas de forma a favorecer interesses oligárquicos (nem sempre é a riqueza que governa: os oligarcas podem ser qualquer grupo privilegiado), em detrimento dos direitos de todos os cidadãos). 

                                        TEXTO DA CARTA 

    11 de agosto de 1889 - Paço Isabel 

    Corte midi

     Caro Senhor Visconde de Santa Victória

    Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do ano passado, e o sigilo que o Senhor pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas. Deus nos proteja dos escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio, pois seria o fim do atual governo e mesmo do Império e da Casa de Bragança no Brasil. Nosso amigo Nabuco, além dos Srs. Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderem dar auxílio a partir do dia 20 de Novembro quando as Câmaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possível realizar as mudanças que sonho para o Brasil! 

    Com os fundos doados pelo Senhor teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos. Fiquei mais sentida ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seus bens, o que demonstra o amor devotado do Senhor pelo Brasil. Deus proteja o Senhor e todo a sua família para sempre! 

    Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba, porém infeliz, que o Senhor e seu estimado sócio, o grande Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos ingleses de forma desonesta e corrupta. A queda do Sr. Mauá significou uma grande derrota para o nosso Brasil! 

    Mas não fiquemos mais no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar mais um pouco. Pois as mudanças que tenho em mente como o senhor já sabe, vão além da liberação dos cativos. Quero agora me dedicar a libertar as mulheres dos grilhões do cativeiro doméstico, e isto será possível através do Sufrágio Feminino! Si a mulher pode reinar também pode votar!

    Agradeço vossa ajuda de todo meu coração e que Deus o abençoe! 

    Mando minhas saudações a Madame a Viscondessa de Santa Vitória e toda a família. 

    Muito de coração 

    ISABEL

    Uma das páginas da carta original que pode ser encontrada no Museu Imperial de Petrópolis.

    O RESULTADO

    Hoje nós somos um dos países mais segregados do mundo, embora não tenhamos leis de segregação racial como houve nos EUA até a luta pelos direitos civis. Mas somos um país segregado na geografia, basta ir ao Rio de Janeiro e ver quem mora nos bairros violentos e dominados pelo crime organizado e quem vive em Copacabana ou no Leblon, na zona sul. Também é um país segregado nos números, indicadores sociais. Por qualquer critério que você queira medir o Brasil, seja renda, emprego, segurança pública, existe um abismo entre oportunidades para a população branca e preta. Um homem preto aqui tem oito vezes mais chances de morrer em um homicídio do que um homem branco. Nós somos um país profundamente preconceituoso. No passado, desenvolvemos alguns mitos de que seríamos uma grande democracia racial, de que a convivência era cordial e amigável. Se você entrar numa rede social agora vai ver as manifestações de racismo explícitas, cruas. 

    Qual a maior diferença da escravidão ocorrida nas Américas para a escravidão na história? É como se a escravidão fizesse parte do código genético humano. Houve no Egito Antigo, na Babilônia, na Grécia Antiga e na África antes da chegada dos europeus. A própria etimologia da palavra escravo, slave em inglês, vem de "slavo", do povo branco que era escravizado no leste da Europa pelo Império Romano. A africana tem duas novidades: a primeira é a escala industrial, com 12,5 milhões de pessoas embarcadas em cerca de 35 mil viagens de navios negreiros para trabalhos forçados em atividades no Novo Mundo que podem ser consideradas pré-industriais. A divisão dos trabalhos, os turnos, a hierarquia, a maneira de funcionamento de um engenho de açúcar no Nordeste brasileiro, ou de uma mina de diamante, se assemelhavam muito às futuras fábricas da revolução industrial na Inglaterra. A segunda característica está no nascimento do racismo: é a primeira vez na história da humanidade que há a associação entre a escravidão e a cor preta da pele. Há toda uma ideologia construída, inclusive de fundo religioso, para dizer que os africanos eram selvagens, bárbaros, pagãos, praticantes de religiões demoníacas, e que portanto a melhor coisa que poderia acontecer com o africano era ser escravizado para se incorporar a suposta civilização europeia que se instalava nos trópicos. Era muito comum nas discussões do parlamento brasileiro a ideia de que a escravidão era a redenção dos escravos. 

    A Igreja Católica fez uma distinção entre nativos e os africanos? Há uma discussão filosófica e teológica sobre a conveniência ou não de escravizar os nativos. Mas a realidade é que os nativos foram massacrados pelos Norteamericanos, os ''Portugueses (cristãos novos)'' e espanhóis, quando chegaram à América, tentaram de todas as formas escravizar os nativos. A primeira carga que cruza o oceano atlântico não foi da África para o Brasil, mas foi daqui para Portugal, em 1511. Uma nau chamada "Bretoa", de um senhor chamado Fernando de Noronha (cristão novo), que hoje dá o nome ao nosso arquipélago no nordeste, levando uma carga de pau-brasil, peles de onça pintada, papagaios e 35 nativos que seriam leiloados em Portugal. Nos três séculos seguintes no Brasil matou-se ''um milhão'' de nativos, há uma suposição que a cada 100 anos de diversas maneiras: expulsão de terras, guerras, extermínio e, principalmente, pelas doenças, como gripe, sarampo e varíola. A inviabilidade prática da escravidão, todo esse massacre, coincide com a discussão filosófica dos jesuítas que afirmavam que eles não deveriam ser escravizados. Mas o fato é que os ''portugueses (cristãos novos)'' e espanhóis não conseguiram realizar seu projeto inicial que era escravizar os nativos. Se eles tivessem conseguido, talvez não tivéssemos a escravidão africana, porque tínhamos 5 milhões de nativos aqui, que foi o número aproximado do povo preto africanos trazidos para o Brasil.

    Alguns pensadores do século XVIII e XIX, defensores da liberdade, eram a favor da escravidão? Sim, David Hume [filósofo e escritor britânico] por exemplo. Ele era acionista de uma companhia de tráfico de escravos. Thomas Jefferson, que escreveu a declaração de independência dos EUA dizendo que todo ser humano nasce com direitos iguais, era dono de um plantel enorme de escravos. Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, era dono de meia dúzia de escravos no ano que foi ''morto'', no Rio de Janeiro.

    Havia manuais que aconselhavam fazendeiros a não manter plantéis de mesma origem, cultura, língua ou região geográfica. Isso impedia que eles se rebelassem. Existia, também, um sistema de premiação e punição. Se o escravizado fosse rebelde, era chicoteado. Se fosse cooperativo, ganhava folga semanal, o direito de cultivar uma horta, de ir à missa e de ganhar sua própria alforria.

    O Brasil teve um altíssimo número de alforrias. Um historiador norte-americano, Donald Ramos, afirma que a alforria foi um dos sistemas de controle mais eficientes do sistema escravista, porque ele oferecia ao cativo uma oportunidade de conquistar a liberdade e de escapar da escravidão. Há um estudo do historiador Manolo Florentino que diz que apenas 5% dos escravos brasileiros se rebelaram, fugiram e formaram quilombos.

    A principal forma de resistência era tentar ocupar os espaços que a sociedade escravista dava para o escravo se aproximar do universo dos brancos. Participar das irmandades religiosas, como a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Ifigênia, dava um "status social" para o escravo, com um papel simbólico. Existia um branqueamento cultural: quanto mais rápido ele se distanciasse da cultura africana, mais "vantajoso" seria.

    O crioulo era o escravo de primeira geração nascido no Brasil. O preto escravizado era boçal era o recém-chegado, também chamado de "preto novo". O sujeito nascido no Brasil se julgava superior, porque ele havia migrado para o universo dos brancos. Ele já tinha constituído família, falava a língua portuguesa, participava das irmandades religiosas e possuía o código da sociedade portuguesa. O escravo chegado da África, não. As rebeliões aconteceram justamente nesse universos dos escravos recém-chegados. Palmares, por exemplo, era formado por pretos Jagas de Angola, que se rebelaram no final do século 16, e fugiram para a Serra da Barriga, em Alagoas. A Revolta do Malês, de 1835, foi feita por pretos muçulmanos, na Bahia, oriundos da Nigéria. As revoltas, fugas e quilombos ocorreram quase sempre por duas razões principais: crise na sociedade branca, como no caso de Palmares, ocorrida durante guerra contra os holandeses, ou em decorrência da homogeneidade étnica e a concentração de africanos que falavam a mesma língua e possuíam afinidade cultural.

    Infelizmente, a história da escravidão é contada por pessoas brancas. Capitães de navios negreiros, viajantes europeus que visitaram o Brasil ou a África no período. Existem alguns depoimentos e biografias relativamente raras. Outra fonte preciosa para ouvir os escravos são inquéritos policiais quando eles eram acusados de crimes. Tem inquéritos da Inquisição Católica que relatam escravos presos e levados para Portugal acusadas de feitiçaria e de contrariar a doutrina da Igreja. O principal quilombo do Brasil, Palmares, não tem nenhuma fonte a partir dos quilombolas. Tudo que se sabe de Palmares são de relatórios e de expedições militares enviadas ao local.

    A história da escravidão é um assunto sensível, porque há uma guerra de narrativas. E não é por acaso que abro este capítulo falando do calendário cívico brasileiro, com o 13 de maio e a Lei Áurea, e o 20 de novembro, da Consciência Negra, com a morte de Zumbi. É uma guerra em andamento pela memória da escravidão. O verdadeiro Zumbi não está nos documentos e que há pouquíssima coisa. O que se sabe é a partir da história branca. O verdade Zumbi está na cabeça das pessoas, é um herói mítico. Agora, sem dúvida, se trata de um herói preto brasileiro, que se contrapõe à Princesa Isabel.  levantou a hipótese de que Zumbi fosse gay. Ninguém incorporou esse herói gay, porque vivemos em um país homofóbico, misógino. Claro que tive muito cuidado para construir esse capítulo, porque ele mexe com um personagem muito importante para a identidade do povo preto.

    OS DIFERENTES OLHARES SOBRE A ESCRAVIDÃO. 

    Existe o olhar dos pretos, o olhar dos brancos. O nosso principal desafio no século XXI. Se você imaginar que a riqueza das nações não está mais nos recursos naturais, mas no capital humano, o Brasil nunca será um país decente, digno dos nossos sonhos, enquanto a imensa maioria da população não tiver educação, saúde e empregos decentes. Enfrentar a desigualdade social no Brasil é sinônimo de uma segunda abolição, porque a maioria dos pobres são pretos. Por isso digo que não é só uma reparação histórica, mas um investimento no futuro. Essa é a principal agenda política daqui para frente, ainda que tenhamos um governo hostil. Isso é um tema represado do século XIX. Qualquer governo, partido político ou campanha eleitoral vai se defrontar com esse legado.

    RESUMO

    Com relação ao Império português, desde os primeiros tratados comerciais firmados com a Inglaterra, em 1810, o príncipe regente D. João comprometeu-se em abolir o tráfico de escravos africanos. Em 1815, por ocasião do Congresso de Viena, as contínuas pressões dos ingleses levaram à instituição da interrupção do tráfico negreiro ao norte da linha do Equador. Apesar de todos esses esforços, o tráfico de escravos da África para o desta forma, os comerciantes portugueses perdiam áreas importantes fornecedoras de mão de obra escrava, como, por exemplo, a Costa do Marfim. Após consolidada a emancipação política, o governo inglês aumentaria mais ainda o nível de exigências.

    D. João VI ratificou a decisão do Congresso de Viena e, em novo acordo, concedeu à Marinha britânica o direito de visita e busca, em alto-mar, nos navios suspeitos de tráfico ilegal, ou seja, em áreas não portuguesas. No entanto, o tráfico de escravos continuou bastante intenso e somente foi interrompido em 1850, através da lei Eusébio de Queirós.

    Os primeiros povos pretos escravizados da África  chegaram ao Brasil com a expedição de Martim Afonso de Souza em 1530, vindos da Guiné. A partir da década de 1550, o comércio negreiro intensificou-se, sendo oficializado em 1568 pelo governador-geral Salvador Correa de Sá.

    No Brasil, durante a vigência da escravidão, a expectativa de vida dessa população era cinco a 10 anos menor do que os pretos e pretas norte-americanos, por exemplo, que viviam, em média, 33 anos.

    “Saíram da África 12,5 milhões e meio de seres humanos. Chegaram 10 milhões e 700 mil. Morreram na travessia 1 milhão e 800 mil pessoas. Se dividir isso pelo número de dias, dá 14 cadáveres, em média, lançados ao mar todos os dias ao longo de 350 anos.

    Por 358 anos o Brasil teve sua economia ligada ao ao trabalho escravo: tornaram-se o grande sustentáculo econômico. O comércio ultramarino de escravos no Brasil estendeu-se por três séculos e encerrou-se somente em 1850, quando foi decretada a Lei Eusébio de Queirós.

    A Lei Eusébio de Queirós foi aprovada em setembro de 1850, decretando a abolição do tráfico negreiro no Brasil. A lei foi acompanhada de medidas de repressão a essa atividade, fazendo com que o tráfico negreiro tenha deixado de existir efetivamente a partir de 1856. 

    INICIO E FIM DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL 

    1530 - 1888 TOTAL  358 ANOS

    O comércio (Negócios lícitos) de escravos no Brasil - 1530  - 1815 duração 285 anos.

    O tráfico (Negócios ilícitos com transporte ilegal) de escravos no Brasil - 1815 - 1831 duração 16 anos.

    O contrabando (Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoriade escravos no Brasil - 1831 - 1850 duração 19 anos. Da primeira lei 1831 á ultima lei 1888 são 73 anos para finalizar com escravidão.

    O PROBLEMA

    Os que estão sobre dominação ideológica não sabe nada de história.

    Cada um conta a história como lhe convém, essa é a grande verdade e quem não procura conhecer, os que vive sempre enganado e os poderosos se aproveitam dessa ignorância.

    A censura e a perseguição à oposição tornaram-se práticas comuns, sufocando qualquer forma de dissidência ou crítica. Por último, varios regimes empregaram a tática de dividir os cidadãos, fomentando a desunião e o conflito entre diferentes grupos da sociedade, para consolidar e manter seu poder. Essas estratégias, focadas no controle absoluto e na manipulação, foram os verdadeiros alicerces sobre os quais os horrores subsequentes foram construídos.

    O povo sem uma boa educação e liberdade, se torna escravo de ditadores da direita ou da esquerda.

    " Vocês sabem o que é história"? história é a ciência que mostra os erros do passado para não os repetir no presente.

    Os que não estudam história estão, via de regra, condenados a ignora-la totalmente em benefício de uma utopia anacrônica, infantil e perversa. Não há como impedir que a história se repita.

    A história tem que ser estudada sempre. Mesmo que quando se repita, infelizmente. Para conhecer o passado, entender o presente e enfrentar o futuro!

    Uns a "apagam", outros a distorcem outros a esquecem, outros nunca ouviu falar e aqueles que não a viveciam, jamais saberão a verdade.

    E assim, de tempos em tempos, alguns querem pagar para ver! E, pelo visto, sempre pagam caro por não inovarem absolutamente nada, acreditando ou não no passado!

    O problema não é quem estuda História. É quem registra, interpreta, distorce e conta...

    A SOLUÇÃO

    Ou seja, o único jeito de não repetir a história errada é criar uma didática com cultura geral que abranja a ideia de melhoria psicológica, sentimental e física com base em fazer o bem a todos sem esperar algo em troca.





    No Brasil, a Câmara Municipal, a Câmara de Vereadores ou Câmara Legislativa, é o órgão legislativo que administra os municípios, sendo uma assembleia com pessoas que foram nomeadas para representá-las no local.

    As Câmaras Municipais representavam o poder dos habitantes das vilas no período povoamento da história do Brasil. Elas foram criadas pela Coroa Portuguesa com o intuito de controlar e organizar as cidades e vilas que se desenvolviam no Brasil.

    Sendo peças fundamentais da administração do territorio utramarino na América Portuguesa, uma vez que a Coroa Portuguesa encontrava dificuldades para fazer a administração direta dos municípios e das vilas que estavam se desenvolvendo.

    As Câmaras Municipais tinham o poder de decidir sobre as diversas questões que faziam parte da vida dos cidadãos e as medidas que eram dirigidas para uma determinada região. Num todo, a Câmara Municipal tinha o poder de controlar as rendas e os gastos da administração pública do local, regulamentar as atividades comerciais que eram desenvolvidas pelas cidades, cuidar da preservação e limpeza de todo o patrimônio público e empreender a realização de obras públicas.

     

    Quando surgiu a Câmara Municipal?

    Tudo começou em 1532, quando São Vicente foi elevada à condição de vila. Para constar, durante o período de Brasil ''Colônia'', só tinham Câmaras Municipais as localidades que eram definidas como vila, numa condição que foi atribuída pelo Reino de Portugal, mediante o ato régio.

    Durante todo o período povoamento no territorio ultramarino do Brasil as mesmas normas que valiam para todo o Império Português, as chamadas Ordenações do Reino.

     

    Qual era a formação da Câmara Municipal?

    As Câmaras eram formadas por três ou quatro vereadores e um juiz, que conduziam as atividades da casa. Conhecidos como “homens bons”, os vereadores eram pessoas afortunadas e que exerciam grandes influências. Entre outras palavras, eram integrantes da nobreza não titulada. Somente esses integrantes poderiam exercer o papel de vereador. Mulheres, escravos, judeus, estrangeiros e degredados não podiam se tornar vereadores.

    A Câmara Municipal se sustentava com os recursos que eram obtidos através do aluguel de prédios públicos, o arrendamento de terras e a cobrança de impostos.

     

    Mudança de rumo

    Chega a ''Independência'' do Brasil 1° Golpe de Estado e com ela, a autonomia que as Câmaras Municipais é drasticamente diminuída, isso graças à Constituição de 1824 e a Lei de 1 de outubro de 1828.

    A duração do cargo de vereador é fixada em quatro anos e aquele que fosse o vereador mais votado assumia a presidência da Câmara, isso porque, até então, não exista a figura do prefeito.

    Com a ''Proclamação'' da República 2° Golpe de Estado, as câmaras municipais são dissolvidas e os governos dos estados nomeavam os membros do “conselho de intendência”. No ano de 1905, criou-se uma figura do “intendente”, que durou até 1930, quando começou a Era Vargas. Na Revolução de 1935, foram criadas prefeituras, que foram atribuídas de realizar funções executivas dos municípios. Dessa forma, as Câmaras Municipais passaram a ter especificamente o papel de casa legislativa.

    Chega o Estado Novo, que durou entre 1937 e 1945, e as Câmaras Municipais são fechadas e acabam-se os poderes legislativos dos municípios, que só retornou com a restauração da democracia, em 1945, mantendo-se até hoje.

    Somos Monarquistas Sebastianistas na propagação  da restauração da Monarquia. O Brasil foi uma Nação unida, soberana e independente, fundada D. João VI sob a forma de governo Monarquia com repúblicas locais tendo o regente da coroa ate o retorno da dinastia de Avis que tem o compromisso com o Senhor de Orique. Que vigorou no Brasil de 1532 a 1822 em Portugal 1139 a 1902.

    "O povo vem assistindo sem conhecer sua verdadeira historia.

    O povo não e covarde

    O povo que não sabe de onde veio, não sabe para onde vai.

    O Sebastianismo representa a consciência coletiva do renascer do Império Lusitano, presente no coração dos monarquistas verdadeiros, com sentimento de união dos valorosos povos Lusitano.



    SIMPATIZA COM UNIDADE E RESTAURAÇÃO DA MONARQUIA TRADICIONAL (1532-1822). 

    DO POVO, PELO POVO, PARA O POVO. 

    COM A CASA REAL IMPERIAL PONTÍFICE AVÍS TRASTÂMARA – FAMÍLIA LISBOA. Então colabore conosco precisamos fortalecer o V Império Cristão Templário!

    O POUCO SE TORNARÁ O BASTANTE CAIXA ECONOMICA FEDERAL: Agência - 0508 Operação: 013 (Por se tratar de uma conta poupança). Conta: 00013533-3 Titular: Antonio Cezar dos Santos Lisboa. São Gabriel-RS, CEP: 97300-000.


    A IGNORÂNCIA É UMA ESCOLHA 

    Ignorância é a falta de conhecimento, de um mínimo de sabedoria, e também a crença firme em fatos sem questionamentos. Em maior ou menor nível, todos somos ignorantes, pois não há como dominar todo o conhecimento. A dúvida é a única porta para sair da ignorância. Tudo vai depender da quantidade de tempo e das fontes ao alcance do ignorante. Quanto maior for o distanciamento da certeza, maior o conhecimento, maior a capacidade para entender os fatos, desde que se procure comparar as fontes, a história, ouvir opiniões contrárias. A ignorância é trevas, o conhecimento, a luz.


     SINCEROS AGRADECIMENTOS.

    #Ultramarino #5Imperio #Templarios #OrdemdeCristo #BrasilnãoFoiColonia #AvisRestaurada #FamiliaReal #BorgonhaLencasterTrastamaraLisboa #principeesperado #principeencoberto


A CAUSA MONÁRQUICA TRADICIONAL CRISTÂ
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GRAAL=SANGUE REAL A Igreja de Roma ou católica, atribui o Graal como sendo um recipiente onde estaria depositado o Sangue de Jesus Cristo. São os verdadeiros Templários Portugueses que atribuem a uma linhagem real. A linhagem dos reis legítimos lusitanos. A Inglaterra teria usurpado este direito, onde os reis ingleses tomam também par si esta primazia. Na verdade, Portugal é que possui a missão de cumprir o Império por Cristo instituído em Ourique, e preservar a linha do sangue real dos reis que procedem desde Abraão...
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V IMPÉRIO O PRÓXIMO REINO ESPÍRITO SANTO
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Os reis de Portugal não eram formalmente coroados, sendo conclamados em sua posição a partir do título de Dom. A tradição existe desde a fundação da monarquia bragantina, com D. João IV, em 1640. Na decorrência de sua coroação, o rei se recusou a colocar em sua cabeça o símbolo da monarquia e, ao invés disso, colocou a coroa nos pés da estátua da Virgem Maria, a declarando “Rainha de Portugal” e “Guardiã da Coroa”.
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NAÇÃO CRISTÃ
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AS CORTES - ASSUNTOS DINÁSTICOS
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MONARQUIA UNGIDAPELO CRISTO
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A DINASTIA DE AVIS SOBREVIVEU AOS CONFLITOS POLÍTICOS ENTRE PORTUGAL E CASTELA (ESPANHA). Mesmo sem trono e sem território devido a usurpação ocorrida dentro dos conflitos da época. Onde Dom Manoel I subiu ao trono ilegalmente aproveitando-se dos conflitos e conveniências politicas da época quebrando a ordem de primogenitura e varonia, o legítimo herdeiro era Dom Gonçalo Afonso de Aviz Trastâmara Fernandes que encontrava-se exilado na Ilha da Madeira.
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ESSÊNCIA DA NOSSA VERDADEIRA HISTÓRIA
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Temos que estudar a história de Brasil e Portugal para poder formar uma opinião. Falar sobre esse assunto apenas com os contos de fada que aprendeu do MEC(Ministerio da Educação Comunista) é pura ignorância. Braganças não são realeza, são da nobresa O que os Brasileiros defensores da Monarquia Bragantina não entendem ou não querem entender, é que, os Braganças nunca tiveram direito ao trono. São REGENTES que se apropriaram do trono e de termos com significados dentro de um contexto. No direito nobiliárquico internacional eles nunca conseguirão manter essa monarquia que desejam, o que leva a crer ser outra manobra política nefasta. Desconhecer a história é uma coisa e outra é não querer conhecer a verdadeira história!
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