Fraude ou milagre? Testes revelam que DNA em estátua da Virgem Maria que 'chora sangue' na Itália pertence à dona da imagem
Gisella Cardia fez centenas de fiéis peregrinarem e pode enfrentar julgamento por fraude
RESUMO
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GERADO EM: 20/02/2025 - 09:28
Suposta fraude de estátua da Virgem Maria na Itália
Uma possível fraude envolvendo uma estátua da Virgem Maria que 'chora sangue' na Itália foi revelada após testes de DNA apontarem que o sangue pertence à dona da imagem, Gisella Cardia. A autoproclamada mística pode enfrentar julgamento por enganar centenas de fiéis. Advogados alegam possível fenômeno sobrenatural, enquanto promotores investigam o caso.
Uma mulher pode ser presa por fraude após fazer com que centenas de fiéis peregrinassem até Trevignano Romano, uma cidade próxima a Roma, para ver uma estátua da Virgem Maria que supostamente chorava sangue.
Gisella Cardia, uma autoproclamada mística, também afirmou que a imagem lhe transmitia mensagens que apenas ela podia compreender. No ano passado, esses acontecimentos foram classificados como fraude pela Igreja Católica, e os promotores da cidade portuária de Civitavecchia também abriram uma investigação sobre o caso.
Recentemente, foram revelados os resultados dos testes de DNA sobre o suposto sangue que a estátua derramava. Segundo o jornal local Corriere della Sera, a análise foi realizada pelo laboratório do geneticista forense Emiliano Giardina, que trabalhou no caso de Yara Gambirasio, uma adolescente assassinada em 2010.
Nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, foram divulgadas as conclusões dos exames, que revelaram que o sangue correspondia ao perfil genético de Gisella Cardia. A análise será entregue aos promotores no dia 28 de fevereiro, e isso poderá determinar se Cardia enfrentará ou não um julgamento por fraude.
O que dizem os advogados de Gisella Cardia?
Apesar de os testes de DNA indicarem que o sangue na Virgem Maria coincide com o perfil genético de Gisella Cardia, sua advogada, Solance Marchignoli, afirma que isso não descarta a possibilidade de um fenômeno sobrenatural.
— Até onde sei, com base nos resultados do laboratório, não seria possível separar os vestígios de sangue feminino de outras formas de contato ou do DNA salivar — declarou ao veículo citado.
Dessa forma, a advogada argumenta que é óbvio que haja vestígios do DNA de Cardia, já que ela manipulou e beijou a estátua. No entanto, afirma que o material genético pode ter se misturado com outro DNA, como o da Virgem Maria.
— Quem pode dizer? Você conhece o DNA da Virgem? Alguém pode nos dizer? Não tenho respostas. Deduzo que não seja humano, mas esse é o nosso pensamento: aprofundamos na fé? Quero excluir a possibilidade de ser apenas o sangue de Gisella.
Além disso, a advogada afirmou que sua cliente está tranquila: "Não sei onde ela reza atualmente, mas tenho certeza de que é movida por uma fé profunda e não tem nada a ganhar com isso. Conheço sua humilde forma de vida. Se não fosse movida pela fé, seria loucura fazer tudo isso, e ela não é louca".
Cardia, que já havia sido condenada anteriormente por fraude relacionada a uma falência, adquiriu a estátua em 2016 em um local de peregrinação católica em Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina. Posteriormente, transformou-a no elemento central do local de peregrinação que estabeleceu em Trevignano Romano, atraindo centenas de fiéis de toda a Itália para encontros mensais de culto, o que gerou o descontentamento dos moradores locais.