O Banco Central da Argentina recomprou hoje a maioria das opções de venda relacionados a títulos de dívida pública de instituições financeiras, em mais um passo que aproxima a equipe econômica do presidente Javier Milei da suspensão dos controles cambiais que vigoram no país desde os governos peronistas que o antecederam.
Bancos privados e outras instituições revenderam 13,2 trilhões de pesos (US$ 14,2 bilhões ou R$ 78,7 bilhões ) em opções de venda relacionadas a títulos soberanos em pesos para a autoridade monetária.
Isso representa mais da metade dos 20 trilhões de pesos em opções de venda — compromissos do banco central argentino de recomprar os títulos se eles caírem abaixo de um determinado preço — que existiam quando as negociações começaram há um mês.
Reduzir o volume desse tipo de papel detido pelo setor financeiro diminui o risco de que esses instrumentos financeiros possam ser resgatados repentinamente. Isso forçaria o banco central a imprimir dinheiro para realizar os pagamentos de recompra dos títulos. E a injeção de mais pesos na economia poderia alimentar uma inflação que já está em 272% ao ano.
"Esta operação contribui significativamente para reduzir a incerteza quanto ao programa monetário ao eliminar um dos elementos com maior potencial de emissão no sistema financeiro", disse o banco central em comunicado.
Milei deixou claro nas últimas semanas que eliminar as opções de venda — um instrumento que herdou do governo anterior e utilizou no início de seu mandato — é um passo fundamental para o banco central eventualmente suspender os controles cambiais que desencorajam o investimento estrangeiro no país. Ele ainda não especificou quando suspenderá os controles.
Questionado em 9 de julho na plataforma X sobre a suspensão dos controles cambiais nos próximos 90 dias, Milei delineou três etapas, incluindo a eliminação das opções de venda dos títulos em pesos.
Em seu tuíte, ele também mencionou a limpeza do balanço do banco central e o alinhamento da inflação mensal com o ritmo de desvalorização controlado pelo governo do peso, ou seja, a "banda cambial".
Melhor mês da economia sob Milei
Ele deseja que tanto a inflação quanto a banda cambial estejam "na área próxima a 0% mensal" antes de suspender os controles. A inflação mensal acelerou para 4,7% em junho.
Mas a economia do país viveu em maio o seu melhor mês sob o governo de Milei, que assumiu no fim do ano passado, enquanto investidores procuram sinais de recuperação da recessão.
A atividade econômica argentina subiu 1,3% em relação a abril, acima da estimativa mediana de 0,1% de analistas em uma pesquisa da Bloomberg, e foi o primeiro mês de crescimento desde o início do mandato de Milei em dezembro.